Restos de baleia-jubarte que mobilizou resgate na Europa serão transformados em biodiesel na Dinamarca
A empresa Daka Denmark transformará a carcaça da baleia-jubarte Timmy em biodiesel e biomassa em uma fábrica dinamarquesa. O animal, identificado como fêmea, morreu em maio após ser transportado da costa alemã para o Mar do Norte. Parte dos ossos foi enviada ao Museu de História Natural de Copenhague
Os restos mortais da baleia-jubarte apelidada de Timmy, que mobilizou a opinião pública na Alemanha e na Dinamarca, serão transformados em energia. A empresa Daka Denmark, especializada na produção de biodiesel a partir de gordura animal, processará a carcaça em uma fábrica dinamarquesa para a extração de biodiesel e biomassa.
O animal foi encontrado morto em meados de maio, próximo à ilha de Anholt, na Dinamarca. A morte ocorreu poucos dias após uma operação de resgate privada e controversa, que transportou a baleia da costa alemã do Báltico para as águas do Mar do Norte. Uma necropsia realizada recentemente revelou que Timmy era uma fêmea, embora a causa exata do óbito permaneça desconhecida. Durante o procedimento, que durou várias horas, o corpo foi fragmentado e removido da praia em contêineres no dia 5 de maio, sendo transportado na segunda-feira seguinte. Parte dos ossos foi destinada ao acervo do Museu de História Natural de Copenhague.
A trajetória do animal começou em 23 de março, quando encalhou em um banco de areia na praia de Timmendorfer, no estado de Schleswig-Holstein. Após uma primeira tentativa de resgate com dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas voltou a encalhar na Baía de Wismar, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Diante da rápida deterioração da saúde do mamífero, as autoridades inicialmente desistiram de novas intervenções no início de abril, considerando que novas tentativas seriam cruéis e que o ideal seria permitir que o animal morresse naturalmente.
Contudo, a sobrevivência de Timmy nas semanas seguintes gerou pressão popular, levando o secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, a apoiar uma nova missão de resgate. A operação foi financiada por empresários, incluindo Walter Gunz, cofundador da MediaMarkt. O projeto consistia em transportar a baleia por centenas de quilômetros em uma balsa adaptada como aquário até o Mar do Norte.
A iniciativa foi duramente criticada por especialistas e organizações ambientais. Kim Detloff, da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), argumentou que a decisão foi baseada na pressão pública e ignorou avaliações científicas. Outros especialistas, vinculados ao Museu Oceanográfico Alemão, alertaram que a debilidade do animal tornava as chances de sobrevivência mínimas, inclusive com risco de afogamento ao ser solta em alto-mar.
A execução do resgate foi marcada por conflitos internos, incluindo a saída de uma veterinária da equipe. Timmy foi liberada no oceano em 2 de maio, mas a operação foi questionada pela falta de registros visuais da soltura e por falhas no rastreador acoplado ao animal. A veterinária Kirsten Tönnies denunciou que o método de retirada da balsa foi agressivo e que o tamanho reduzido da embarcação impediu que a baleia se posicionasse corretamente para nadar.
A confirmação de que a carcaça encontrada na Dinamarca era a de Timmy foi feita por meio do rastreador. A Secretaria do Meio Ambiente informou que os dados do dispositivo foram coletados e serão analisados para posterior divulgação dos resultados ao público.