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Retorno do USS Gerald R. Ford marca maior presença naval no Oriente Médio em duas décadas

13 de Abril de 2026 às 10:07

O USS Gerald R. Ford partiu de Split, na Croácia, em 3 de abril de 2026, rumo ao Oriente Médio. A ação, atestada pelo Departamento de Defesa dos EUA, ocorre devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A embarcação junta-se ao grupo de ataque do Abraham Lincoln na região

O porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford (CVN-78) retomou sua rota para o Oriente Médio em 3 de abril de 2026, após deixar o porto de Split, na Croácia. A movimentação, confirmada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, coloca a embarcação novamente no teatro de operações onde o país já mantém o grupo de ataque do Abraham Lincoln. A concentração de dois grupos de porta-aviões na região representa a maior mobilização de poder naval americana no Oriente Médio em mais de duas décadas, em resposta ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro de 2026.

A reativação do Ford no front tem implicações diretas na economia global, especialmente no setor de energia. Com o fechamento do Estreito de Hormuz desde o começo das hostilidades — rota por onde transita 20% do petróleo mundial —, o preço do barril do Brent ultrapassou a marca de US$ 120. Nesse cenário, a presença do navio é vista como uma tentativa de estabilizar as rotas de abastecimento energético.

O retorno ocorre após um incidente grave em 12 de março de 2026, durante a Operation Epic Fury no Mar Vermelho. Um incêndio começou na lavanderia de popa e se alastrou rapidamente pelo sistema de ventilação, exigindo mais de 30 horas de combate às chamas. A emergência, considerada uma das maiores em porta-aviões nucleares americanos nas últimas décadas, deixou três marinheiros feridos e cerca de 200 tripulantes sob cuidados médicos por inalação de fumaça. Não houve mortes, resultado dos protocolos de combate a incêndio aprimorados da classe Ford.

Para viabilizar os reparos estruturais e oferecer descanso à tripulação, o comando da Marinha ordenou a parada em Split, na Croácia, entre 28 de março e 2 de abril. A pausa era necessária, pois o ciclo operacional do navio já soma 281 dias, o deployment mais longo de um porta-aviões americano desde a Guerra do Vietnã. Os 4.539 tripulantes operavam em zonas de alto risco há quase dez meses sem interrupção, e a escalada do conflito com o Irã impediu a rotação imediata do contingente.

Com 333 metros de comprimento, 100 mil toneladas e dois reatores nucleares, o USS Gerald R. Ford é o navio de guerra mais caro da história, com custo de US$ 13,3 bilhões. A embarcação opera mais de 75 aeronaves, incluindo os caças F/A-18 Super Hornets, os furtivos F-35C Lightning II, aeronaves de alerta E-2D Hawkeyes e helicópteros MH-60R/S. Entre suas inovações tecnológicas, destaca-se o sistema EMALS, que utiliza lançadores eletromagnéticos em vez de catapultas a vapor, aumentando a cadência de voos e reduzindo o desgaste dos aviões. O navio também conta com defesas multicamadas para mitigar ameaças de submarinos nucleares.

Enquanto os Estados Unidos projetam força na região, a China monitora a operação. Imagens de satélite revelaram que Pequim utiliza réplicas de porta-aviões no deserto de Taklamakan para treinar táticas de enfrentamento contra grupos de ataque como o do Ford. Paralelamente, a Marinha americana mantém a interoperabilidade com aliados, como demonstrado em operações conjuntas onde o Super Tucano da Embraer voou ao lado de caças no USS Nimitz.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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