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Romênia realiza detonação no rio Danúbio para evitar o desligamento da usina nuclear de Cernavoda

04 de Agosto de 2026 às 12:11

A Marinha da Romênia detonou 180 kg de explosivos no rio Danúbio para remover rochas e restaurar o resfriamento da usina nuclear de Cernavoda. A medida visa evitar o desligamento total da planta, que supre 20% da energia do país e já teve uma unidade desativada devido à seca

Romênia realiza detonação no rio Danúbio para evitar o desligamento da usina nuclear de Cernavoda
Reuters/Inquam Photos/George Calin

A Romênia realizou uma detonação controlada com 180 kg de explosivos no rio Danúbio para evitar o desligamento total da usina nuclear de Cernavoda. A operação, conduzida pela Marinha Romena, teve como objetivo eliminar uma formação rochosa exposta no leito do rio, a aproximadamente 50 km de distância das instalações, para restaurar o fluxo de água essencial ao sistema de refrigeração dos reatores.

A manobra representa a etapa inicial de um projeto de engenharia militar. Os detritos resultantes da explosão serão reposicionados e submersos para a criação de uma barragem temporária, que redirecionará o volume de água disponível para a usina. O prazo para a conclusão dos trabalhos é quarta-feira; caso a intervenção não surta efeito, a planta poderá sofrer um encerramento completo entre quarta e quinta-feira.

Impacto energético e medidas de emergência

A usina de Cernavoda é responsável por cerca de 20% da eletricidade consumida na Romênia. Devido à severa seca, a empresa estatal Nuclearelectrica já foi forçada a desligar uma de suas duas unidades operacionais na última semana.

O Ministro da Defesa, Radu Miruta, justificou a operação ressaltando que a manutenção da usina em atividade é economicamente superior aos custos da detonação. Paralelamente, o Primeiro-Ministro Ilie Bolojan solicitou a redução do consumo de energia por parte de cidadãos e empresas, visto que as altas temperaturas elevaram a demanda elétrica.

No setor industrial, as fábricas da Dacia e da Ford interromperam suas atividades até o dia 19 de agosto, embora a montadora americana tenha informado que a paralisação já estava programada para o período de férias.

Crise hídrica na Europa Central e Oriental

A escassez de água no Danúbio afeta a infraestrutura energética de outros países da região:

  • Hungria: A usina nuclear de Paks, que geralmente supre metade da demanda elétrica do país com 2 GW de potência, operava com pouco mais de 10% de sua capacidade na última segunda-feira, mantendo ativa apenas uma turbina de 240 MW.
  • Sérvia: A usina hidrelétrica As Portas de Ferro registrou a produção de aproximadamente um quinto de sua capacidade total.

O cenário de calor prolongado e a ausência de chuvas comprometem a geração de energia, o abastecimento hídrico e o transporte fluvial em toda a Europa central e oriental, sem que haja previsões imediatas de recuperação do fluxo dos rios.

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