Rússia enfrenta falhas orbitais em nova constelação de satélites para comunicações militares na Ucrânia
A Rússia desenvolve a constelação de satélites Rassvet para obter autonomia em comunicações militares. Lançamentos recentes do Bureau 1440 apresentaram falhas orbitais, com aparelhos abaixo da altitude necessária para funcionamento. O projeto enfrenta desafios de escala e possíveis danos em infraestruturas de montagem e lançamento
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A dependência de tecnologias estrangeiras para operações militares tornou-se um ponto crítico para a Rússia durante a invasão da Ucrânia. Após utilizar a rede de banda larga via satélite Starlink, da SpaceX, para comunicações em campo, o governo russo viu-se vulnerável quando Elon Musk interrompeu o acesso ao serviço. Em resposta, Moscou iniciou o desenvolvimento da Rassvet, uma constelação de satélites própria destinada a garantir a autonomia de suas comunicações.
Falhas técnicas e orbitais da constelação Rassvet
Apesar dos investimentos bilionários, o projeto liderado pela empresa aeroespacial Bureau 1440 apresenta dificuldades operacionais severas. Após o lançamento de satélites experimentais entre 2023 e 2024, a Rússia efetuou um novo lote de 16 satélites em 19 de julho. No entanto, dados do rastreador N2YO indicam que, até 31 de agosto, nenhum desses aparelhos atingiu a altitude mínima de 547 quilômetros, ficando longe dos 869 quilômetros necessários para o funcionamento pleno. Muitos deles estagnaram nos 290 quilômetros de altitude.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) aponta que problemas de órbita já levaram ao direcionamento de ao menos dois satélites para a reentrada na atmosfera. John Hardie, da Foundation for Defense of Democracies (FDD), observa que a taxa de falhas desta primeira geração supera a registrada no início do Starlink, embora ressalte que ainda é prematuro definir a extensão total dos danos.
Desafios de escala e infraestrutura
Para estabelecer uma conexão estável no território ucraniano, a Rússia precisaria de uma frota entre 200 e 300 satélites, conforme estimativas de Serhiy Beskrestnov, assessor de tecnologias de defesa da Ucrânia. Atualmente, a meta parece distante devido à incapacidade de Moscou em acelerar os lançamentos na escala necessária.
A fragilidade do sistema é agravada pela dependência de infraestruturas específicas:
- Centro Espacial Progress (Samara): Única fábrica de montagem em série dos foguetes Soyuz-2.1b, essenciais para a órbita Rassvet, que teria sido alvo de ataques ucranianos em 15 de agosto.
- Cosmódromo de Plesetsk: Alvo de tentativa de ataque em 23 de agosto, local utilizado para lançamentos de veículos que transportam satélites como o GLONASS-K1, alternativa russa ao GPS.
Impactos no campo de batalha
Mesmo com as falhas, o ISW alerta que a implementação parcial da Rassvet pode aumentar a precisão de ataques russos por meio de sistemas não tripulados controlados remotamente. A questão central, segundo Hardie, não é a viabilidade final do projeto — que tende a ser útil —, mas se ele se tornará operacional a tempo de alterar o curso do conflito.
Enquanto a Rússia tenta estabilizar sua rede, a Ucrânia busca expandir o uso do Starlink. O presidente Volodymyr Zelensky, que já condecorou Elon Musk com a Ordem da Liberdade em agosto, solicitou a Donald Trump, em encontro na Casa Branca no dia 28 de julho, que interceda junto ao empresário. O objetivo é obter permissão para utilizar a rede de satélites contra caminhões de abastecimento e lançadores de mísseis balísticos situados dentro do território russo, área onde Musk mantém restrições de uso do sistema.