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Rússia mobiliza 64 mil pessoas em um de seus maiores exercícios nucleares dos últimos anos

21 de Maio de 2026 às 12:21

A Rússia mobilizou 64 mil pessoas em exercícios nucleares iniciados na terça-feira (19) em territórios russo e bielorrusso. A operação, acompanhada por Vladimir Putin e Alexander Lukashenko, foca na prontidão para o uso de arsenal nuclear. O treinamento ocorre após a conclusão do teste final do míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat

Rússia mobiliza 64 mil pessoas em um de seus maiores exercícios nucleares dos últimos anos
Ministério da Defesa da Rússia /Divulgação via REUTERS

A Rússia mobilizou 64 mil pessoas em um de seus maiores exercícios nucleares dos últimos anos, com operações iniciadas na terça-feira (19) em territórios russo e bielorrusso. O Ministério da Defesa do país divulgou, nesta quinta-feira (21), imagens que detalham a escala do treinamento, exibindo submarinos, navios, jatos de combate, caças-bombardeiros e veículos lançadores de mísseis em deslocamento por áreas florestais.

O treinamento foi acompanhado por videoconferência pelos presidentes Vladimir Putin e Alexander Lukashenko. Putin fundamentou a necessidade da operação nas tensões globais crescentes, embora tenha classificado o emprego de armamentos nucleares como uma medida de último recurso. O porta-voz do Kremlin admitiu que a realização de exercícios dessa natureza constitui um sinal estratégico.

O foco central da preparação é a prontidão das forças russas para o uso de arsenal nuclear em cenários de agressão. Esse movimento ocorre após o anúncio, no dia 12, da conclusão bem-sucedida do teste final do míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat. Segundo Sergei Karakayev, comandante das forças de mísseis estratégicos, o teste representa a etapa final antes da implementação do armamento.

O Sarmat, apelidado de "Satanás" pela Otan devido ao seu potencial destrutivo, foi projetado para substituir os modelos soviéticos R-36M da era da Guerra Fria. O sistema é capaz de transportar dez ou mais ogivas nucleares e pode carregar veículos hipersônicos Avangard, que alteram trajetória e velocidade para evitar interceptações.

Com alcance de até 35 mil quilômetros, o míssil consegue atingir a Europa em menos de dez minutos. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o diferencial do RS-28 é a capacidade de percorrer rotas não convencionais, incluindo a passagem pelos polos Norte e Sul, o que dificulta a detecção por radares e sistemas de defesa antimísseis tradicionais. O governo russo afirma que o Sarmat é o míssil mais poderoso do mundo em termos de distância e capacidade de combate, sendo capaz de superar os escudos antiaéreos modernos dos Estados Unidos e da Europa.

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