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Rússia retoma operações de usina nuclear flutuante após auditoria internacional de segurança no Ártico

31 de Julho de 2026 às 06:21

A Rússia reiniciou as atividades da usina nuclear flutuante Akademik Lomonosov, em Pevek, após auditoria de segurança internacional. A instalação fornece 70 MW de eletricidade e aquecimento para comunidades do Ártico

Rússia retoma operações de usina nuclear flutuante após auditoria internacional de segurança no Ártico
Rosatom

A Rússia retomou as operações da Akademik Lomonosov, a única usina nuclear flutuante em atividade no mundo, após a conclusão de uma auditoria internacional de segurança que durou duas semanas. Localizada no porto de Pevek, no extremo leste do país, a instalação é responsável por garantir o fornecimento de eletricidade e aquecimento para comunidades isoladas da região do Ártico.

A fiscalização foi conduzida por 13 especialistas do Centro de Moscou da Associação Mundial de Operadores Nucleares, enquanto a área administrativa da planta, situada em São Petersburgo, passou por análise de um representante da China. O escopo da inspeção abrangeu a engenharia, a manutenção, a organização interna, os protocolos de emergência e a proteção radiológica.

Desempenho técnico e segurança

Os resultados da revisão indicam que a usina apresenta menos pontos de melhoria técnica do que na avaliação de 2022. A Rosatom afirmou que o nível de operação da unidade é comparável ao de grandes usinas atômicas russas, validando a capacidade da equipe em manter os padrões de segurança sob as condições climáticas rigorosas do Ártico.

A estrutura opera com dois reatores KLT-40S, tecnologia derivada de sistemas utilizados em navios de destroços nucleares. Com uma potência de 35 MW por unidade, a planta atinge um total de 70 MW de eletricidade, além de converter a energia térmica de seus circuitos de vapor para alimentar a rede de aquecimento municipal de Pevek.

Engenharia e logística operacional

Apesar de ser classificada como uma usina flutuante, a Akademik Lomonosov é, tecnicamente, uma embarcação de aço sem propulsão própria, com 145 metros de comprimento, 30 metros de largura e 21.500 toneladas de deslocamento. Por estar conectada permanentemente a instalações costeiras, qualquer mudança de posição exige a utilização de rebocadores.

Esse modelo de engenharia naval com reatores modulares foi desenvolvido para suprir territórios onde a construção de usinas convencionais seria inviável. Para garantir a integridade do sistema, os geradores de vapor e circuitos de refrigeração são blindados por barreiras de contenção reforçadas, que protegem o equipamento contra impactos mecânicos, ondas e tempestades.

Para viabilizar a operação em áreas de difícil acesso logístico, os reatores possuem um ciclo de recarga de combustível a cada três anos.

Ciclo de vida e descarte

A vida útil estimada da instalação é de 40 anos, com possibilidade de extensão para 50 anos. O casco da embarcação conta com compartimentos internos para o armazenamento temporário de resíduos operacionais e combustível usado.

Ao final de sua atividade, a usina será rebocada até um estaleiro especializado para a remoção dos materiais radioativos, que serão transportados para centros de armazenamento na Rússia continental.

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