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Surto de Ebola na República Democrática do Congo avança para Uganda em meio a conflitos armados

07 de Junho de 2026 às 12:03

O surto da variante Bundibugyo do Ebola atinge a República Democrática do Congo e Uganda, com mais de 282 casos confirmados e 42 mortes. Conflitos armados e a ausência de vacinas dificultam o controle sanitário, mobilizando US$ 518 milhões da OMS e agências africanas. A ONG Alima implementou unidades de tratamento autônomas para reduzir riscos de contaminação e facilitar o atendimento

Surto de Ebola na República Democrática do Congo avança para Uganda em meio a conflitos armados
Jennifer Lazuta/ALIMA

A República Democrática do Congo enfrenta um cenário crítico no combate ao vírus Ebola, com a propagação da doença atingindo a província de Ituri, epicentro do surto, e avançando para as regiões de Kivu do Norte, Kivu do Sul e o país vizinho, Uganda. A situação é agravada por um contexto de conflito armado, com Ituri sob regime militar desde 2021 e áreas de Kivu controladas pelo grupo rebelde M23, o que dificulta o rastreamento de contatos e a implementação de medidas sanitárias.

Até o momento, as autoridades contabilizam mais de 282 casos confirmados e 42 mortes, além de mil casos suspeitos, dos quais mais de 220 resultaram em óbito. A resposta médica é complexa, pois o surto é causado pela variante Bundibugyo, para a qual não existem vacinas ou medicamentos aprovados. O tratamento concentra-se em cuidados de suporte, como a administração de fluidos intravenosos para combater a desidratação e o uso de oxigênio e ventilação para auxiliar a respiração.

A identificação precoce dos pacientes é um dos maiores desafios. Os sintomas iniciais, como febre, dor de cabeça e fraqueza, assemelham-se aos de malária e febre tifoide, doenças comuns na região. O sangramento — que pode ocorrer pelo nariz, gengivas, vagina, vômito ou fezes — surge em estágios mais avançados. Para a confirmação, os pacientes passam por coletas de amostras; caso o primeiro teste seja negativo, uma nova amostra é colhida após 48 horas. A alta médica exige dois resultados laboratoriais negativos consecutivos.

A escassez de recursos impacta diretamente a linha de frente. O Conselho Internacional de Enfermeiros alertou para a falta de kits de testagem e de equipamentos de proteção individual (EPIs). A carência de insumos coloca em risco os profissionais, dos quais dezesseis já foram diagnosticados com a doença neste surto. Além do risco biológico, as equipes enfrentam exaustão física devido ao clima equatorial, que torna o uso de EPIs insuportável após cerca de uma hora, provocando superaquecimento e tonturas. Para mitigar riscos, as equipes operam em duplas, com um observador externo para evitar contaminações acidentais.

Para tentar otimizar o atendimento e a segurança, a ONG Alliance for International Medical Action (Alima) introduziu em Bunia a "Cube", uma unidade de tratamento transparente e autônoma. A estrutura permite que médicos assistam os pacientes do lado externo através de luvas em formato de túnel, eliminando o contato direto. Além da proteção técnica, a Cube visa preservar o bem-estar psicológico dos enfermos, permitindo que familiares os visitem, o que reduz a resistência de comunidades em buscar ajuda médica.

Diante da gravidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a agência africana de saúde mobilizaram US$ 518 milhões. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, solicitou um cessar-fogo entre as partes em conflito para garantir o acesso seguro das equipes, destacando que a violência e os ataques a centros médicos — muitas vezes motivados por protestos contra as regras de sepultamento seguro — impedem o isolamento dos doentes e a construção de confiança nas comunidades. Apesar das barreiras, organizações como a Alima e os Médicos Sem Fronteiras mantêm operações e centros de tratamento em áreas críticas, incluindo a cidade de Goma.

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