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Teerã inicia cerimônias de funeral de Estado para o líder supremo iraniano Ali Khamenei

04 de Julho de 2026 às 12:04

Teerã iniciou neste sábado os funerais de Estado de Ali Khamenei, morto aos 86 anos em bombardeios israelenses e americanos. O corpo do líder e de familiares ficará exposto até segunda-feira, com sepultamento previsto para 9 de julho em Mashhad. As autoridades estimam a participação de até 20 milhões de pessoas nas homenagens

Teerã iniciou, neste sábado (4), as cerimônias de funeral de Estado do líder supremo iraniano Ali Khamenei. O evento, que se estenderá por seis dias, ocorre em um cenário de tensão diplomática, coincidindo com negociações entre Irã e Estados Unidos após a assinatura de um memorando para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. O aiatolá, que governou o país por mais de três décadas, morreu aos 86 anos em bombardeios realizados por forças israelenses e americanas.

O caixão do líder, acompanhado pelo seu turbante preto, está exposto na Grande Mosalla, complexo religioso da capital. Ao lado dele, encontram-se os caixões de familiares que morreram no mesmo ataque: uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses. A estrutura permanecerá aberta dia e noite até segunda-feira, quando terá início uma procissão pelas ruas de Teerã. Posteriormente, o corpo passará por diversas cidades do Irã e do Iraque, incluindo a visita a dois santuários xiitas, antes do sepultamento final em 9 de julho em Mashhad, cidade natal do líder.

As autoridades estimam que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem das homenagens na capital, volume que seria o maior da história do país. Para acomodar a multidão, o Crescente Vermelho instalou mais de 400 tendas em um parque local, além de caminhões-pipa para enfrentar temperaturas superiores a 35°C. O centro de Teerã foi reforçado com rigorosos controles policiais, transformando a área em uma fortaleza, especialmente após manifestações populares contra o custo de vida ocorridas há seis meses.

A mobilização popular começou antes mesmo do anúncio oficial da televisão estatal, realizado às 6h locais. Entre os presentes, que vestiam preto e carregavam bandeiras vermelhas com a inscrição "Mártir", registraram-se gritos de vingança e slogans contra Israel e Estados Unidos. Cartazes pedindo a morte de Donald Trump também foram vistos, no mesmo dia em que os EUA celebram 250 anos de independência.

No campo político, a cerimônia marcou a primeira aparição pública de Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária nomeado em março. Já a presença de Mojtaba, filho de Khamenei e seu sucessor no cargo de guia supremo desde o início de março, não foi confirmada. O dirigente, que teria sido ferido nos ataques que mataram o pai, tem se comunicado exclusivamente por mensagens escritas.

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