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Terremoto de magnitude 4,7 deixa feridos e causa danos estruturais na região de Nápoles

07 de Agosto de 2026 às 06:49

Um terremoto de magnitude 4,7 atingiu os Campos de Flegre, na Itália, na noite de 31 de julho. O sismo deixou cerca de 20 feridos, causou danos estruturais em residências e interrupções no fornecimento de energia. Em Pozzuoli, o desabamento de um prédio forçou a evacuação de moradores

Terremoto de magnitude 4,7 deixa feridos e causa danos estruturais na região de Nápoles
Getty/Ivan Romano

Um terremoto de magnitude 4,7 atingiu a região dos Campos de Flegre, próxima a Nápoles, na noite de sexta-feira, 31 de julho. O tremor deixou cerca de 20 feridos, causou interrupções no fornecimento de energia e danos estruturais em diversas residências. Na cidade de Pozzuoli, o desabamento de um edifício forçou moradores a passarem a noite ao ar livre por temor de novos colapsos.

O evento na Itália ocorre em um contexto de instabilidade sísmica no continente europeu. Recentemente, a região de Murcia, na Espanha, registrou dois tremores de magnitude 3,9 e 2,5, no domingo e na terça-feira. Embora não tenham causado danos materiais, os episódios reacenderam a memória do terremoto de Lorca, ocorrido em 2011, que resultou em nove mortes, mais de 300 feridos e prejuízos econômicos de 462 milhões de euros.

Vulnerabilidades estruturais na Europa

A Europa possui zonas com risco sísmico comparável ou superior ao do norte da Venezuela, onde um terremoto duplo causou a morte de mais de 6 mil pessoas. Entre as nações mais expostas estão Turquia, Grécia, Romênia, Itália, Albânia e Macedônia do Norte.

A Itália, situada no limite entre as placas euroasiática e africana, é um dos países com maior atividade sísmica do continente, apresentando uma rede de falhas que atravessa os Apeninos. Desde 1905, o país registrou 15 grandes sismos. O mais recente de grande impacto foi o de Amatrice, em agosto de 2016, com magnitude 6,2, que matou quase 300 pessoas e deixou 4 mil desabrigados.

O desastre de Amatrice evidenciou que cerca de 70% do parque imobiliário italiano não seguia critérios antisísmicos. A vulnerabilidade é agravada pela alta densidade populacional e pela presença de edifícios com até 3 mil anos de idade, cuja adaptação a padrões modernos é tecnicamente complexa e onerosa.

Respostas governamentais e modernização

Para enfrentar esse cenário, o governo italiano implementou o programa Casa Italia, focado na adequação de edifícios aos padrões internacionais de segurança. A prioridade inicial foram as escolas, com um investimento de 4 bilhões de euros em dois anos, resultando em 850 intervenções de segurança e novas construções.

Na Espanha, a experiência de Lorca em 2011 — onde um sismo de magnitude 5,2 causou a demolição de 1.798 casas e afetou 80% das construções locais — levou à alteração de normas técnicas para eliminar a utilização de "pilares curtos" (enanos). Foram criados também os planos de prevenção Sismilor (em Lorca) e Sismimur (em Murcia), que estabeleceram protocolos de evacuação e autoproteção.

O cenário crítico nos Bálcãs e Leste Europeu

A Romênia e a Grécia também enfrentam desafios severos com edifícios obsoletos:

  • Bucareste (Romênia): Pelo menos 413 edifícios são classificados com o nível máximo de vulnerabilidade (Risco Sísmico Classe I). O país ainda carrega as marcas do terremoto de 1977 (magnitude 7,2), que matou 1.578 pessoas, a maioria na capital. A falta de reparos em prédios danificados em sismos anteriores, como o de 1940, mantém milhares de estruturas em risco de colapso imediato.
  • Grécia: O país viveu sua maior catástrofe natural em meio século em setembro de 1999, quando um sismo de magnitude 6,0 matou 143 pessoas. O evento acelerou a adoção dos Eurocódigos de construção e a reabilitação de prédios públicos. Apesar de possuir normas avançadas, a Grécia sofre com a precariedade de construções anteriores a 1950 e com a vulnerabilidade de infraestruturas turísticas, como visto em Santorini em 2025, onde uma sequência de 25 mil tremores forçou a saída de 10 mil habitantes.

Tecnologia e prevenção

Para mitigar riscos, a Europa tem investido em monitoramento. A Espanha implementa a detecção acústica distribuída (DAS), que utiliza cabos de fibra óptica para detectar sismos e tsunamis em tempo real ao longo de toda a extensão do cabo.

A Romênia utiliza agora o sistema de alerta de terremotos (EEW), que notifica a população quando um sismo atinge magnitude 4,5. Contudo, a eficácia desses alertas é limitada em casos de tremores moderados que ocorrem muito próximos aos centros urbanos, pois as ondas destrutivas chegam quase simultaneamente ao aviso.

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