Terremotos na Venezuela causam mais de 2,5 mil mortes e deixam 26 mil pessoas afetadas
Dois terremotos no norte da Venezuela causaram 2.595 mortes e afetaram mais de 26 mil pessoas, com destaque para a devastação em La Guaira. Equipes de 31 países realizam buscas por sobreviventes enquanto o governo articula crédito de US$ 200 milhões com o FMI e o Banco Mundial para a reconstrução
A Venezuela enfrenta uma crise humanitária após dois terremotos sucessivos que atingiram a região norte do país, incluindo a capital, Caracas, na noite de 24 de junho. Os sismos foram os mais intensos registrados em território venezuelano em mais de cem anos, resultando em 2.595 mortes confirmadas e deixando mais de 26 mil pessoas afetadas, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU). Desse total, 12.841 cidadãos perderam suas moradias.
O estado de La Guaira, localizado na costa do Mar do Caribe e responsável pelo principal porto e aeroporto do país, o Simón Bolívar, foi a área mais devastada. A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que quase todos os chefes de governo da localidade morreram no desastre. A região, que possui cerca de 486 mil habitantes, sofre com o colapso dos serviços básicos e a escassez generalizada de alimentos, situação reportada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Apesar da decretação de luto nacional, as operações de busca e resgate continuam. Equipes especializadas de 31 países, incluindo bombeiros e profissionais do Brasil, atuam nos escombros. Devido à falta de equipamentos e mão de obra, a população local tem auxiliado nas buscas de forma manual. O cenário torna-se crítico à medida que o tempo passa, pois a janela decisiva para localizar sobreviventes ocorre entre as primeiras 48 e 72 horas, após as quais o foco das equipes migra para a recuperação de corpos.
Para viabilizar a reconstrução das áreas atingidas, o governo venezuelano firmou parcerias com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que ofereceram linhas de crédito e auxílio financeiro. Um fundo de US$ 200 milhões será criado junto ao FMI para financiar a reconstrução de residências, com os recursos sendo destinados às empresas executoras das obras.