Terremotos na Venezuela causam prejuízos de 6,7 bilhões de dólares e deixam mais de 1,4 mil mortos
Dois terremotos no norte da Venezuela deixaram mais de 1,4 mil mortos, 3 mil feridos e 3,1 mil desabrigados. O PNUD estima prejuízos de US$ 6,7 bilhões, enquanto a ONU projeta 50 mil desaparecidos. A operação de resgate mobiliza 14 mil agentes locais e mais de 1.600 socorristas estrangeiros
Dois terremotos sucessivos que atingiram a região norte da Venezuela, incluindo a capital Caracas, na noite de quarta-feira (24), causaram prejuízos físicos preliminares estimados em US$ 6,7 bilhões (R$ 34,6 bilhões). O montante, que representa 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, foi calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com base em imagens de satélite, modelos sísmicos e dados populacionais, abrangendo a perda de bens e moradias, mas excluindo impactos econômicos indiretos.
Os sismos foram os mais intensos registrados no território venezuelano em mais de um século. O governo local atualizou o balanço de vítimas neste sábado (27), confirmando que o número de mortos já ultrapassa 1,4 mil. De acordo com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, o desastre resultou em mais de 3 mil feridos e deixou 3,1 mil pessoas desabrigadas. A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertam que a contagem de vítimas pode ser superior, devido à densidade demográfica das áreas atingidas e à precariedade das estruturas físicas.
O impacto humano é vasto: a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que entre 6 milhões e 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas, sendo que até dois milhões delas estão em Caracas. Paralelamente, o Escritório de Ajuda Humanitária da ONU projeta que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas. Jorge Rodríguez informou ainda que centenas de indivíduos permanecem presos sob escombros, com ao menos 383 edifícios totalmente destruídos ou severamente danificados.
A operação de resgate conta com o apoio de mais de 1.600 socorristas estrangeiros, que chegaram ao país em 17 voos, com a previsão de mais 25 aeronaves nas próximas 24 horas, conforme detalhou Oliver Blanco, do Ministério das Relações Exteriores. Entre o suporte internacional, a Força Aérea Brasileira enviou médicos, equipamentos especializados e cães farejadores, com a previsão de saída de outros dois aviões de ajuda humanitária neste sábado.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou que outros 10 países integrarão os esforços de salvamento. Atualmente, 14 mil policiais e militares estão mobilizados em La Guaira para as atividades de busca e recuperação.