Tribunal na Grécia condena homem por assassinato de cidadão britânico após 17 anos de investigação
Um tribunal na Grécia condenou a 10 anos de prisão o assassino de Jean Hanlon, morto em 2009 em Heraklion. A sentença ocorreu após investigadores particulares analisarem o diário da vítima, revelando um relacionamento com o agressor. O condenado aguarda o julgamento do recurso em liberdade
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Um tribunal na Grécia condenou, após 17 anos de investigações e impasse, o homem responsável pelo assassinato de Jean Hanlon. A vítima, que possuía cidadania britânica e residia na ilha de Creta, foi encontrada morta em 2009, em Heraklion. O réu foi sentenciado a 10 anos de prisão, embora permaneça em liberdade até que o recurso judicial seja julgado, conforme a legislação grega.
A resolução do caso ocorreu após a família de Hanlon, composta por seus três filhos — Michael, Robert e David Porter —, contratar investigadores particulares no final de 2023. Os profissionais Haris Veramon e Nikos Arkoulis mudaram a linha de apuração ao analisar o diário da vítima. O documento revelou um relacionamento breve no início de 2009 com um homem que, após o término, teria se tornado um assediador.
Investigação e reviravoltas judiciais
O crime ocorreu em um contexto de mistério que durou quase duas décadas. Hanlon, que trabalhava no setor de restaurantes em Creta após ter atuado no serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS), desapareceu enquanto se deslocava para atender uma criança com dificuldades de aprendizado. Seu corpo foi recuperado do mar, mas as autoridades gregas inicialmente classificaram a morte como acidental.
A família contestou a versão oficial, exigindo a revisão da autópsia. Após dois anos, novos exames confirmaram lesões compatíveis com luta corporal, incluindo um golpe na parte posterior da cabeça. Mesmo com a prova de violência, o processo enfrentou estagnação: o caso foi aberto e encerrado quatro vezes, resultando inclusive na acusação errônea de dois homens inocentes.
O julgamento e a condenação
A condenação foi fundamentada no relatório dos investigadores particulares, que conectou a vítima ao suspeito na noite do crime, no Café Marina. Durante o julgamento, depoimentos foram cruciais para a decisão do júri:
- Saúde Mental: A irmã do acusado confirmou que ele possui diagnóstico de doença mental e torna-se agressivo quando não utiliza a medicação.
- Contradições: O réu apresentou versões conflitantes sobre a duração do relacionamento com Hanlon, divergindo do que estava registrado no diário da vítima.
- Laudo Forense: Um patologista afirmou que a causa da morte foi o golpe na cabeça e que a vítima ainda estava viva ao ser lançada na água.
O júri, composto por juízes e cidadãos, decidiu pela condenação unânime. Contudo, a pena foi atenuada devido à condição psiquiátrica do agressor.
Apesar do alívio dos filhos, a família expressou frustração com a norma jurídica que permite ao condenado aguardar o recurso fora da prisão. O advogado da família, Apostolos Xiritakis, que atua no caso desde 2012, definiu o desfecho como uma vitória necessária para encerrar quase 17 anos de sofrimento e busca por justiça.