Trump alega que a China roubou registros de eleitores nas eleições de 2020
Donald Trump afirmou na quinta-feira (16) que a China e a Venezuela interferiram nas eleições de 2020. As acusações foram negadas por Pequim e Moscou, enquanto agências de inteligência e auditorias não comprovaram fraudes no pleito
Donald Trump retomou, em discurso realizado na quinta-feira (16), alegações de fraude e interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2020. O ex-presidente afirmou que a China teria roubado 220 milhões de registros de eleitores e tentado produzir cédulas ilegais para favorecer Joe Biden. Trump também sugeriu que as máquinas de votação dos Estados Unidos seriam vulneráveis a manipulações semelhantes às que teriam ocorrido sob o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela.
Para embasar as declarações, a Casa Branca retirou o sigilo de documentos de inteligência. No entanto, as acusações de que a eleição de 2020 teria sido "roubada" não foram comprovadas, sendo rejeitadas por autoridades eleitorais e por membros da própria administração de Trump na época. Além disso, mais de 60 ações judiciais não encontraram evidências de fraudes que pudessem alterar o resultado do pleito.
Respostas internacionais e verificações técnicas
Na manhã de sexta-feira (17), a China e a Rússia negaram formalmente qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral norte-americano.
Sobre a acusação de ataque hacker chinês, relatórios de agências de inteligência dos EUA de março de 2021 indicam que não houve tentativa de alterar aspectos técnicos da votação. O documento concluiu, com alto grau de confiança, que Pequim não executou ações de influência para mudar o resultado. Outro ponto relevante é que os registros eleitorais nos Estados Unidos são, em grande parte, informações públicas e comercializadas, o que contradiz a narrativa de roubo de dados sigilosos.
Stephen Richer, ex-responsável pelo registro eleitoral do condado de Maricopa, pontuou que a criação de milhares de eleitores falsos exigiria a falsificação de documentos de identificação, endereços e registros da Previdência Social sem que houvesse detecção.
A questão da Venezuela e a tecnologia de votação
As falas de Trump resgataram teorias de 2020 sobre um suposto complô venezuelano para alterar votos via empresa Smartmatic. A companhia, que operou em apenas um condado sem disputa relevante naquele ano, já obteve vitórias judiciais em processos de difamação relacionados a essas alegações.
Embora os documentos desclassificados da Casa Branca mencionem que a Venezuela teria interesse e alguma capacidade de manipular sistemas eletrônicos, o texto deixa claro que:
* Não há confirmação definitiva de fraude eletrônica em larga escala em eleições específicas na Venezuela;
* Nem o governo venezuelano, nem a Smartmatic, possuíam capacidade de manipular resultados eleitorais fora da Venezuela.
Charles Stewart, especialista em eleições do MIT, afirmou que as informações apresentadas não demonstram evidências de manipulação eleitoral.
Registros de não cidadãos
Trump alegou ainda que centenas de milhares de pessoas sem cidadania americana estariam registradas para votar. Contudo, auditorias e investigações independentes apontam que o voto de não cidadãos é ilegal e ocorre de forma extremamente rara, existindo diversas salvaguardas para impedir tal prática.