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Trump assina ordem executiva que reduz o número de vacinas recomendadas para crianças nos Estados Unidos

10 de Agosto de 2026 às 18:01

Donald Trump assinou ordem executiva que reduz para 11 o número de vacinas recomendadas no calendário infantil dos Estados Unidos. A medida altera a metodologia de aplicação, propondo a separação da vacina MMR em três doses distintas. A decisão ocorre durante um surto de sarampo no país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10) uma ordem executiva que reduz para 11 o número de vacinas recomendadas no calendário infantil do país. A medida altera não apenas a quantidade de imunizantes, mas também a metodologia de aplicação das doses.

Mudanças na administração de vacinas

A nova diretriz propõe a separação da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) em três doses distintas, que deveriam ser administradas em consultas médicas diferentes. Atualmente, a versão individualizada para cada uma dessas doenças não está disponível no mercado norte-americano.

Durante evento no Salão Oval, Trump defendeu que crianças de um ano de idade recebam a imunização dividida em cinco consultas separadas, embora não tenha especificado se a orientação abrange a totalidade das vacinas dessa faixa etária ou apenas algumas delas. O presidente justificou a decisão alegando que os Estados Unidos recomendavam mais doses infantis do que qualquer país comparável, chegando a dobrar a quantidade aplicada em algumas nações europeias.

Impacto legal e saúde pública

Embora a ordem federal oriente a revisão das leis locais, a autoridade para exigir a vacinação como requisito de matrícula escolar pertence aos estados, e não ao governo central.

A medida ocorre em um cenário crítico, com o início do ano letivo em diversas regiões e a ocorrência de um surto de sarampo no país. Paralelamente, a ordem determina que o Departamento de Saúde dos Estados Unidos intensifique as pesquisas sobre vacinas.

Divergências científicas e autismo

A reestruturação do calendário segue a linha de Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e crítico de vacinas. Kennedy já havia buscado a remoção da recomendação universal da vacina contra a hepatite B para crianças, baseando-se em supostas ligações entre imunizantes e o autismo.

Contudo, o consenso científico e décadas de estudos refutam a existência de qualquer relação entre vacinas infantis e o autismo. Kennedy mantém a posição de que fatores ambientais desconhecidos causariam o aumento dos diagnósticos, prometendo a divulgação de novas pesquisas.

Riscos apontados por especialistas

Profissionais de saúde pública alertam que o calendário de imunização atual é fruto de evidências acumuladas por décadas, definindo o momento exato de cada dose para garantir a proteção contra doenças graves.

O espaçamento das doses, conforme proposto pela Casa Branca, pode elevar o risco de crianças contraírem doenças evitáveis antes de retornarem ao consultório para a dose seguinte. O setor ressalta que as vacinas e a forma de aplicação conjunta passam por monitoramento rigoroso de segurança por anos.

Histórico de tentativas

Esta não é a primeira tentativa de alteração. Em dezembro, Trump solicitou que o Departamento de Saúde analisasse as diretrizes de países comparáveis para reformular as normas americanas. Na ocasião, houve uma redução na lista de vacinas recomendadas, mas a medida foi bloqueada pela Justiça.

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