Trump comemora 80 anos com evento de lutas do UFC na Casa Branca
Donald Trump comemora 80 anos com evento do UFC no Gramado Sul da Casa Branca, com custo superior a US$ 60 milhões. A celebração mobilizou sete agências governamentais e causou o adiamento da cúpula do G7. A empresa World Liberty Financial patrocina um fundo de bônus de US$ 250 mil para os lutadores
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/c/9/8u3nzCSgeApyAgtmoGzg/ap26162415299617.jpg)
O presidente Donald Trump celebra seus 80 anos neste domingo (14) com a realização de um evento de lutas do UFC no Gramado Sul da Casa Branca. A comemoração, que ocorre no Dia da Bandeira e durante o aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, contará com a presença de parlamentares republicanos, altos funcionários do governo e líderes do gabinete, além de 4 mil espectadores em uma arena temporária chamada "The Claw". Milhares de outras pessoas devem acompanhar as lutas por telões instalados na vizinha Ellipse.
A magnitude do evento impactou a agenda internacional, levando os líderes do G7 a adiarem sua cúpula para permitir que o presidente participe da festa antes de seguir para as reuniões na França. A organização do espetáculo envolveu sete agências governamentais, com gastos superiores a US$ 60 milhões e a mobilização de dezenas de milhares de horas de trabalho, segundo dados do Serviço Nacional de Parques apresentados em ação judicial. Embora a Casa Branca afirme que o UFC está custeando o evento, a World Liberty Financial — empresa de criptomoedas da família Trump, administrada por seu filho Zach e cofundada por Steve Witkoff — entrou como parceira oficial para criar um fundo de bônus de US$ 250 mil para os atletas vencedores.
A escolha do formato de celebração contrasta com a marcação de 80 anos de seu antecessor, Joe Biden, que em novembro de 2022 optou por um brunch familiar privado. Trump agora detém o título de pessoa mais velha a ser eleita presidente do país, embora esteja impedido constitucionalmente de concorrer a novo mandato. Esse cenário ocorre em meio a questionamentos sobre sua saúde física e mental; uma pesquisa de abril, realizada pelo Washington Post/ABC News/Ipsos, indicou que menos da metade dos adultos americanos considera que ele possui a agilidade mental e a saúde necessárias para o cargo. Em resposta, o deputado Ronny Jackson, ex-médico da Casa Branca, classificou tais preocupações como ficção, enquanto o Dr. Sean Barbabella, médico atual da residência oficial, declarou que o presidente goza de excelente saúde após quatro exames físicos realizados neste mandato.
O espetáculo ocorre em um momento de desgaste político e pressões externas. Trump enfrenta a condução de uma guerra onerosa e impopular no Irã, conflito iniciado sob sua gestão. Apesar de a Casa Branca sinalizar que um acordo de encerramento pode estar próximo, detalhes fundamentais ainda dependem de negociação. Somam-se a isso a inflação, os altos preços dos combustíveis e a queda nos índices de aprovação presidencial.
Paralelamente às festividades, o nome do presidente foi removido do Kennedy Center, a cerca de um quilômetro do local da festa, após decisão judicial. No campo simbólico, Mike Fontaine, professor de estudos clássicos da Universidade Cornell, associa a estratégia de promover lutas brutais em um momento de crise política ao conceito de "pão e circo" da Roma Imperial, utilizado para distrair a população e reforçar a popularidade de governantes.
A logística do evento também enfrenta desafios climáticos. Tempestades e raios interromperam a sessão promocional realizada na sexta-feira no Lincoln Memorial, e a previsão do tempo para a noite de domingo permanece instável. Sobre a escolha do local, a porta-voz da Casa Branca, Allison Schuster, defendeu que a realização do evento na "casa do povo" é uma homenagem adequada à nação.