Trump condiciona acordo nuclear com a Arábia Saudita ao reconhecimento formal do Estado de Israel
Donald Trump condicionou a assinatura de um acordo nuclear com a Arábia Saudita ao reconhecimento formal de Israel. O pacto de 30 anos prevê cooperação em infraestrutura nuclear e enriquecimento de urânio para fins civis. A proposta aguarda análise e votação do Congresso dos EUA
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Donald Trump condicionou a assinatura de um acordo nuclear com a Arábia Saudita ao reconhecimento formal do Estado de Israel por parte do governo saudita. O pacto, que já teria a aprovação do presidente norte-americano, prevê a cooperação para o desenvolvimento da infraestrutura nuclear do país árabe e a possibilidade de enriquecimento de urânio para fins civis.
A exigência de Trump visa integrar a Arábia Saudita aos Acordos de Abraão, tratados estabelecidos em 2020 para normalizar as relações diplomáticas entre Israel e nações árabes, como Marrocos, Sudão, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Cazaquistão. O gabinete de Benjamin Netanyahu classificou a possível adesão saudita como um avanço histórico para a paz no Oriente Médio, região onde as negociações de expansão desses tratados haviam sido interrompidas devido ao conflito na Faixa de Gaza.
Detalhes e vigência do pacto nuclear
O acordo estabelece uma base legal de cooperação com validade de 30 anos, garantindo prioridade a empresas dos Estados Unidos na execução de contratos e no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita. Embora permita a construção de instalações de enriquecimento de urânio, o texto não obriga Washington a transferir tecnologia ou a construir usinas imediatamente.
A Arábia Saudita justifica a iniciativa como parte de uma estratégia para diversificar sua matriz energética, reduzir a emissão de carbono e poupar petróleo e gás para exportação, utilizando a energia atômica em processos de ar-condicionado e dessalinização da água. Em janeiro de 2025, o reino manifestou a intenção de produzir yellowcake, o concentrado de urânio utilizado como combustível nuclear.
Riscos de proliferação e resistências políticas
Apesar do respaldo de Trump, a proposta enfrenta oposição no Congresso dos EUA e de órgãos internacionais. A principal preocupação reside na ausência de duas salvaguardas críticas:
- O padrão ouro, que impediria o país de reprocessar combustível nuclear ou enriquecer urânio para evitar fins bélicos;
- O Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que ampliaria a fiscalização internacional.
Críticos argumentam que a ausência dessas travas pode estimular uma corrida armamentista regional, especialmente considerando que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman afirmou que a Arábia Saudita buscará a arma nuclear caso o Irã o faça. Além disso, há o risco de Washington perder a coerência diplomática ao permitir o enriquecimento de urânio em solo saudita enquanto combate a mesma atividade no Irã.
Impactos estratégicos e trâmites legais
Para os Estados Unidos, o acordo representa a abertura de um mercado bilionário e a manutenção da hegemonia estratégica na região, limitando a influência de concorrentes como Rússia, China, França e Coreia do Sul. O governo americano acredita que a participação direta no programa permitirá um monitoramento mais rigoroso do desenvolvimento nuclear saudita.
Para entrar em vigor, o pacto deve ser enviado ao Congresso, que terá 90 dias para análise e votação. Caso haja um veto presidencial a qualquer alteração ou rejeição, será necessária uma maioria de dois terços em ambas as Casas do Legislativo para reverter a decisão do Executivo.