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Trump reafirma na ONU a disposição dos Estados Unidos em usar força militar na América Latina

22 de Setembro de 2026 às 15:00 3 min de leitura

Donald Trump reafirmou na ONU a disposição dos EUA em usar força militar na América Latina e Caribe para assegurar interesses nacionais. O presidente citou a operação na Venezuela, que garantiu controle de 21% do petróleo ao Pentágono, e equiparou cartéis de drogas ao grupo ISIS. O discurso gerou a retirada da delegação de Cuba da sessão e críticas do presidente Lula

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou a tribuna das Nações Unidas (ONU) para reafirmar a disposição de Washington em empregar força militar em nações da América Latina e do Caribe. Em pronunciamento de quase 40 minutos, Trump declarou que o poderio bélico norte-americano será utilizado para assegurar os interesses nacionais dos EUA no Hemisfério Ocidental, citando a atuação recente na Venezuela como exemplo de que ameaças aos Estados Unidos não serão toleradas.

Intervenção na Venezuela e controle petrolífero

Trump referenciou a invasão da Venezuela ocorrida em janeiro deste ano, operação que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro sob a justificativa de que o país seria um narcoestado. Após a prisão, o Departamento de Justiça dos EUA recuou na acusação de que Maduro lideraria o Cartel de Los Soles, grupo cuja existência é questionada por especialistas.

O presidente norte-americano classificou a operação como um negócio lucrativo, destacando o acordo firmado com a presidente encarregada, Delcy Rodríguez. O pacto garante a uma empresa vinculada ao Pentágono o controle de até 21% do petróleo venezuelano. Recentemente, os EUA removeram a Venezuela da lista de países que não combatem o narcotráfico, posição que o país ocupava desde 2005.

Comparação entre cartéis e terrorismo

Durante a fala, Trump equiparou os cartéis de drogas da América Latina ao grupo terrorista ISIS, originário do Iraque e da Síria. O presidente informou ter acionado as Forças Armadas para a eliminação dessas organizações, que definiu como o "ISIS do Hemisfério Ocidental". Essa narrativa, também adotada por secretários de Estado, é vista por analistas como um possível pretexto para interferências políticas internas em países vizinhos.

O México foi citado diretamente por Trump. Embora tenha mencionado boas relações com a presidente Claudia Sheinbaum, ele afirmou ser inaceitável que os EUA façam fronteira com o que chamou de "epicentro da violência dos cartéis", exigindo que o governo mexicano retome o controle do território. Em resposta, Sheinbaum tem criticado a ingerência externa e defendido que o combate ao crime organizado não justifique intervenções estrangeiras.

Reações internacionais

A postura de Washington gerou reações imediatas no plenário da ONU. A delegação de Cuba, alvo de novas ameaças de Trump, retirou-se da sessão em protesto.

Previamente, o presidente do Brasil, Lula, alertou sobre a pressão sofrida pela América Latina e pelo Caribe devido à proximidade com a potência militar dos EUA. Lula denunciou a ocorrência de investidas neocoloniais, a divisão do globo em zonas de influência e a interferência externa em processos eleitorais, mencionando especificamente as situações no Haiti, Cuba e Venezuela.

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