Trump sanciona projeto de 70 bilhões de dólares para fiscalização e deportação de imigrantes
Donald Trump sancionou lei de US$ 70 bilhões para fiscalização e deportação de imigrantes, expandindo restrições de vistos para 39 países. A medida causou a barragem de um árbitro somali e revistas rigorosas em delegações do Senegal, Uzbequistão e Bélgica durante a Copa do Mundo. A ONU solicitou a reconsideração do controle de entrada de estrangeiros no torneio
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Donald Trump rebateu, nesta quarta-feira (10), as críticas sobre os impactos de suas políticas imigratórias no fluxo de turistas e delegações para a Copa do Mundo. O presidente dos Estados Unidos sancionou um projeto de lei que destina US$ 70 bilhões para a fiscalização e deportação de imigrantes, com recursos direcionados à Patrulha da Fronteira (CBP) e ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
A postura do governo norte-americano ocorre em meio a pedidos da ONU para que as práticas de controle de entrada de estrangeiros sejam reconsideradas durante o torneio. Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, criticou as restrições após a entrada de dirigentes, torcedores e de um árbitro somali da Fifa ter sido impedida.
As medidas restritivas incluem a expansão de decretos de limitação de vistos e viagens, que passaram a abranger 39 países, contra 19 anteriormente. Nações como Mali, Sudão, Somália, Irã e Haiti enfrentam suspensões totais ou parciais na emissão de vistos de turismo de curta permanência. Além disso, Washington implementou a exigência de depósitos reembolsáveis, variando entre US$ 5.000 e US$ 15.000, para cidadãos de aproximadamente 50 países classificados como "de risco", visando evitar permanências ilegais após a competição.
Na prática, a rigidez migratória resultou em incidentes com delegações internacionais. Na segunda-feira (8), a seleção do Senegal passou por revista com detectores de metal e inspeção de bagagens na pista do aeroporto de Raleigh, na Carolina do Norte. A equipe esclareceu posteriormente que a ação ocorreu ao pé da aeronave para evitar a circulação dos atletas pelas áreas comuns do terminal. No mesmo dia, a seleção do Uzbequistão foi recebida em Chicago com cães farejadores e teve todas as bagagens revistadas, aguardando a liberação por horas sob sol forte, situação criticada pelo técnico Fabio Cannavaro. Na terça-feira (9), a seleção da Bélgica também foi submetida a revista com detectores de metal, inclusive nos calçados, ao chegar em Chicago.
Um dos casos mais emblemáticos foi o do árbitro somali Omar Artan. Mesmo com visto válido, segundo a Federação da Somália, Artan teve sua entrada negada após horas de interrogatório, sendo impedido de se tornar o primeiro somaliano a apitar em uma Copa do Mundo.
O cenário nos Estados Unidos contrasta com a recepção no México, onde a seleção da Espanha foi acolhida com música, danças e bandeiras ao desembarcar em Puebla na última segunda-feira para um amistoso contra o Peru.