Ucrânia alerta que nova ponte rodoviária entre Rússia e Coreia do Norte facilita transporte militar
Rússia e Coreia do Norte constroem a primeira ponte rodoviária sobre o rio Tumen para conectar Khasan e Tumangang. A obra, com custo superior a US$ 100 milhões, gera alertas na Ucrânia devido à possibilidade de transporte de tropas e equipamentos militares
A construção da primeira ponte rodoviária ligando a Rússia e a Coreia do Norte gera alertas no governo da Ucrânia, que vê na obra um risco estratégico para o conflito em curso. Embora Moscou e Pyongyang justifiquem a estrutura como um meio de fomentar o turismo e as trocas comerciais, há o temor de que a via facilite o fluxo de tropas, suprimentos e equipamentos militares.
A nova ligação atravessa o rio Tumen, conectando a cidade de Khasan, no território russo, a Tumangang, no lado norte-coreano. Atualmente, o tráfego terrestre entre as nações ocorre prioritariamente pela Ponte da Amizade, uma conexão ferroviária operando desde 1959 e situada próxima ao novo projeto.
Logística e monitoramento militar
Imagens de satélite mostram que a estrutura principal da ponte já está pronta. A Coreia do Norte concluiu a maior parte das instalações na fronteira, enquanto a Rússia finaliza postos de controle alfandegário e obras de apoio. A inauguração, prevista inicialmente para 19 de junho, foi adiada por atrasos russos, sem que uma nova data fosse definida.
A preocupação ucraniana é reforçada por um estudo da organização de direitos humanos Truth Hounds. A investigação aponta que o transporte rodoviário é consideravelmente mais difícil de ser monitorado por satélites do que o ferroviário. O uso de caminhões permite a diversificação de rotas e maior agilidade na carga e descarga, o que reduz a eficácia da inteligência ocidental em rastrear movimentações bélicas.
Este cenário coincide com declarações de Volodymyr Zelensky, que afirma que a Rússia planeja receber milhares de novos militares norte-coreanos. Governos da Coreia do Sul, da Ucrânia e potências ocidentais já confirmaram o envio prévio de armamentos e soldados de Pyongyang para apoiar o esforço de guerra russo.
Questionamentos econômicos
O governo russo nega as suspeitas. O ministro dos Transportes, Andrei Nikitin, defende que a obra visa aprimorar a logística e fortalecer os laços comerciais. No entanto, a justificativa econômica é contestada pelos números: o comércio bilateral oficial entre os dois países somou apenas US$ 34 milhões em 2024, valor significativamente inferior ao custo do projeto, estimado em mais de US$ 100 milhões.
Outro ponto de contradição é o turismo, citado como um dos objetivos da ponte. O setor na Coreia do Norte é rigidamente controlado e, em 2025, registrou a visita de apenas 10 mil russos.
A obra foi pactuada durante a visita de Vladimir Putin a Pyongyang em 2024, consolidando a parceria estratégica entre os dois países. A aproximação é monitorada de perto por aliados da Ucrânia, que veem a cooperação logística como um elemento capaz de prolongar a guerra.