Ucrânia e OTAN oferecem 250 mil euros para sistema que neutralize bases aéreas russas
O Ministério da Defesa da Ucrânia e a OTAN lançaram uma competição para desenvolver um sistema de neutralização de bases aéreas russas com prêmio de 250 mil euros. O projeto deve ser implementável em campo em até 12 meses, com prazo de entrega para 20 de julho. O vencedor poderá acessar um fundo de 500 milhões de dólares da OTAN para a fabricação do armamento
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O Ministério da Defesa da Ucrânia e a OTAN estabeleceram o "Desafio de Negativa de Aeródromos", uma competição voltada a startups, empresas de tecnologia militar e engenheiros independentes para a criação de um sistema capaz de neutralizar permanentemente as bases aéreas russas. O projeto vencedor receberá uma recompensa de 250 mil euros.
A iniciativa visa corrigir uma assimetria estratégica no conflito. Atualmente, Moscou mantém a vantagem de lançar bombardeios rotineiros a partir de aeródromos protegidos na retaguarda. Embora a Ucrânia realize ataques a esses pontos logísticos, o volume de ofensivas é insuficiente para interromper o fluxo de bombas planejadoras e mísseis de cruzeiro. O Comando Aliado de Transformação da OTAN (SACT) argumenta que a interceptação reativa de armas individuais é ineficiente, defendendo que a interrupção da campanha aérea adversária deve ocorrer na origem, por meio da negação persistente do uso dos aeródromos.
O arsenal ucraniano atual — composto por mísseis balísticos, aviões tripulados, munições individuais e sistemas MLRS — não possui a resiliência à guerra eletrônica, a persistência ou o efeito de massa necessários para suprimir a infraestrutura de uma base aérea em ambiente disputado. O objetivo do novo sistema é paralisar, em ataques coordenados, pistas de pouso, depósitos de combustível e munição, além de veículos logísticos e aeronaves estacionadas.
Para participar, as propostas não podem ser meramente teóricas. Os projetos devem apresentar um Nível de Maturidade Tecnológica (TRL) médio-alto, variando entre componentes de laboratório comprovados e protótipos finalizados, com a condição de que a tecnologia seja implementável em campo em até 12 meses. O prazo para entrega é 20 de julho, com a divulgação de dez finalistas em 11 de agosto e a apresentação presencial em 3 de setembro, com previsão de ocorrer na Polônia.
A OTAN incentiva o desenvolvimento de munições autônomas ou semiautônomas, formações de ataque em enxame e sistemas aéreos não tripulados, embora não restrinja a plataforma tecnológica. O hardware deve ser capaz de operar em qualquer clima, penetrar em espaços aéreos defendidos e funcionar sem sinal de GPS ou controle humano contínuo, utilizando inteligência artificial para a aquisição de alvos com o intuito de minimizar a necessidade de treinamento das tropas.
A viabilidade do programa também depende da capacidade de produção em massa. O setor de defesa nacional da Ucrânia expandiu significativamente: enquanto a produção era de 1 bilhão de dólares em 2022, a estimativa para 2026 é que atinja entre 50 bilhões e 60 bilhões de dólares. Atualmente, a indústria local supre mais de 50% das necessidades de material de primeira linha das Forças Armadas.
Contudo, existe um gap financeiro, já que os recursos nacionais e subsídios internacionais cobrem apenas metade da capacidade industrial instalada. Para sustentar as linhas de montagem, a Ucrânia busca acordos de coprodução e direitos de exportação. Nesse cenário, a OTAN disponibilizou um fundo de 500 milhões de dólares para a fabricação de armamentos ucranianos, recurso que poderá ser acessado pelo vencedor do desafio. Adicionalmente, os Estados-membros da aliança prometeram 40 bilhões de euros em subsídios militares para o próximo ano durante a Cúpula de Washington, enquanto a Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL) já mobilizou mais de 4 bilhões de dólares desde agosto de 2025 para a compra imediata de munições e hardware.