Ucrânia identifica componentes ocidentais e chineses em drone russo de alta tecnologia
A Ucrânia desmantelou um drone russo Geran-3 e identificou cerca de 50 componentes de países como Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Alemanha e China. O equipamento possui motor turbojet, atinge 370 km/h e apresenta sistema de navegação resistente à guerra eletrônica
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A Ucrânia desmantelou um drone russo Geran-3, a versão mais sofisticada do arsenal aéreo de Moscou, e identificou que a maior parte de seus componentes não é de origem russa. A análise técnica revelou a presença de aproximadamente 50 peças fabricadas em países como Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Alemanha e China, evidenciando que materiais de uso duplo continuam a abastecer a indústria bélica russa mesmo sob a vigência de sanções e embargos internacionais.
Tecnologia e capacidades do Geran-3
O modelo é uma evolução do Shahed-238 iraniano e foi projetado para realizar ataques suicidas. O diferencial técnico do Geran-3 é a incorporação de um motor turbojet, que permite ao aparelho atingir velocidades de 370 km/h e percorrer distâncias de até 1.000 quilômetros.
De acordo com o serviço de inteligência militar ucraniano (HUR), o drone apresenta um sistema de navegação por satélite reforçado. Essa característica torna o equipamento mais resistente às técnicas de guerra eletrônica, limitando a eficácia das interferências que anteriormente eram utilizadas por Kiev para neutralizar as incursões russas. Embora mantenha a estrutura básica de versões anteriores, o drone foi aperfeiçoado para atravessar zonas com densa cobertura antiaérea, elevando a complexidade da defesa do espaço aéreo ucraniano.
Estratégia de saturação e contraofensiva
A Rússia elevou a fabricação da família de drones Shahed para níveis industriais, adotando uma tática de saturação para desgastar as defesas da Ucrânia. O objetivo é forçar o uso de mísseis e armamentos de alto custo para abater drones significativamente mais baratos. Registros indicam ofensivas com mais de 800 aparelhos em uma única noite, com a possibilidade de coordenação de ataques simultâneos de até 2.000 unidades.
Para mitigar esse risco, a Ucrânia está desenvolvendo drones interceptores destinados a perseguir e destruir as aeronaves suicidas ainda em voo. Complementarmente, o país está instalando sensores acústicos e ópticos para aprimorar a detecção precoce e tornar o sistema de defesa antidrones mais flexível.