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Ucrânia planeja modernizar força aérea com a incorporação de caças suecos Saab Gripen

01 de Junho de 2026 às 12:09

A Ucrânia receberá 16 caças Saab Gripen C/D da Suécia no início de 2027, com previsão de adquirir 20 modelos E/F até 2030 via financiamento da União Europeia de 2,9 bilhões de dólares. O acordo, consolidado em 28 de maio, prevê a expansão da frota para até 150 aeronaves

Ucrânia planeja modernizar força aérea com a incorporação de caças suecos Saab Gripen
Saab

A Ucrânia passará por um processo de modernização de sua força aérea com a incorporação de caças suecos Saab Gripen. O plano imediato prevê a chegada de 16 aeronaves do modelo C/D nos primeiros meses de 2027, as quais serão retiradas das reservas da Suécia. O acordo para esse fornecimento limitado foi consolidado em uma reunião diplomática realizada em Upsala, no dia 28 de maio.

As aeronaves serão equipadas com o míssil europeu Meteor, desenvolvido para atingir alvos além do alcance de radares. Para viabilizar a operação, o treinamento de pilotos e equipes de terra já foi iniciado em Kiev, com previsão de expansão significativa para o outono.

Embora o envio dos modelos C/D represente um reforço imediato, a estratégia de longo prazo da Ucrânia foca na aquisição dos Gripen E/F, a versão mais recente e polivalente de quarta geração. O governo ucraniano planeja a entrega inicial de 20 dessas aeronaves até 2030, com a meta final de consolidar uma frota entre 100 e 150 aviões. Esse projeto conta com um pacote de financiamento da União Europeia no valor de 2,9 bilhões de dólares.

Apesar do interesse mútuo, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, e executivos da Saab confirmaram que os contratos definitivos de compra ainda não foram assinados, devendo as negociações ser concluídas em etapas. Kristersson alertou que a produção e a entrega dos primeiros exemplares do modelo E podem levar cerca de três anos após a formalização do acordo.

A escolha pelo Gripen em detrimento de outras opções ocidentais, como o F-16, Rafale, Eurofighter ou F-35, baseia-se em critérios de custo e versatilidade operacional. O custo por hora de voo do caça sueco é de 5.800 dólares, valor significativamente inferior ao do F-16 (8.700 dólares), do Rafale (13.600 dólares), do Eurofighter Typhoon (20.400 dólares) e do F-35 (38.300 dólares na versão de decolagem vertical).

Do ponto de vista técnico, o Gripen oferece vantagens competitivas para o cenário de guerra, como o radar de varredura eletrônica ativa (AESA) e sistemas avançados de guerra eletrônica otimizados para neutralizar radares e sistemas de mísseis terra-ar russos. A aeronave também possui capacidade antibuque e desempenho superior em exercícios internacionais, como o Red Flag, superando modelos russos como o Su-57 Felon.

O diferencial estratégico mais relevante é a capacidade de operar em pistas improvisadas. Enquanto caças como o F-16 exigem pistas lisas, limpas e extensas — o que obriga a Ucrânia a reformar instalações vulneráveis a ataques de mísseis de cruzeiro —, o Gripen pode decolar e pousar em estradas, aeroportos municipais ou pistas danificadas, desde que haja 600 metros de terreno plano.

Essa característica é fruto de décadas de desenvolvimento da indústria de defesa sueca para enfrentar a ameaça russa, herdando a filosofia de aeronaves anteriores, como o Saab 35 Draken e o Saab 37 Viggen. O modelo atual permite que a manutenção básica, o reabastecimento e o armamento sejam realizados por equipes reduzidas de apenas seis pessoas com dois veículos de apoio, alinhando-se à tática de bases dispersadas já utilizada pela Força Aérea ucraniana.

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