Ucrânia utiliza robô terrestre autônomo em primeira operação de combate na região de Járkov
A Ucrânia utilizou um robô terrestre autônomo em Járkov, que percorreu sozinho 93% de um trajeto de 20 quilômetros. O sistema, desenvolvido pelo regimento Lava com tecnologia da Apex.AI, utiliza mapas 3D e sensores LiDAR para reduzir a dependência de sinais de rádio e satélites
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A Ucrânia registrou a primeira operação de combate ativo utilizando um robô terrestre autônomo, que percorreu sozinho 93% de um trajeto de 20 quilômetros na frente de Járkov. A missão, guiada por inteligência artificial, contou com a intervenção de um operador humano remotamente por apenas 1,4 quilômetros, marcando uma mudança na dinâmica de condução desses equipamentos em campo.
O sistema foi desenvolvido pelo regimento de sistemas não tripulados Lava, do 2º Corpo Jártiia da Guarda Nacional ucraniana. Até então, a operação de robôs dependia de conexão direta via rádio ou satélites Starlink, vulnerabilidades exploradas pela Rússia por meio de dispositivos de interferência para bloquear as comunicações e inutilizar as máquinas. A nova autonomia visa reduzir a dependência desses sinais.
Tecnologia de navegação e mapeamento
O equipamento utiliza um "cérebro" de IA criado pela empresa Apex.AI, que passou por testes de campo em julho, após o desenvolvimento do primeiro protótipo em abril. Para que a navegação autônoma ocorra, o processo divide-se em duas etapas:
- Mapeamento: Um robô precursor percorre a área equipado com um módulo LiDAR (sensor laser), que gera um modelo digital tridimensional do terreno.
- Execução: O robô autônomo utiliza esse mapa 3D e analisa imagens de câmeras em tempo real para distinguir obstáculos e definir a rota, operando de forma similar a um carro autônomo.
Nesse modelo, o operador deixa de ser o condutor direto para atuar como um controlador, podendo alterar a velocidade ou o trajeto, mas sem a necessidade de pilotagem constante.
Expansão logística e desafios operacionais
O Ministério da Defesa ucraniano reportou um crescimento expressivo no uso de sistemas terrestres: as missões de logística e evacuação saltaram de 7.511 em janeiro para 25.143 em agosto deste ano. O objetivo de Kiev é que toda a logística na primeira linha de combate seja robotizada ainda em 2024, incluindo a futura meta de evacuar feridos.
Apesar do avanço, a autonomia total enfrenta barreiras técnicas. Veículos da empresa americana Forterra, com mais de 100 unidades na Ucrânia em julho, ainda operam majoritariamente via controle remoto, pois a IA ainda não consegue responder a ameaças inimigas em tempo real. Além disso, o sistema atual não realiza reconhecimento em terrenos inéditos, exigindo que a área já tenha sido mapeada previamente.
Comparativo estratégico
Enquanto a Ucrânia avança na autonomia, a Rússia enfrenta dificuldades técnicas. Os robôs russos, que dependiam do Starlink até perderem o acesso à rede em fevereiro, retornaram ao controle remoto. Esse sistema possui alcance limitado e é vulnerável a interferências ucranianas. Documentos internos indicam que as máquinas russas percorrem, em média, 3 quilômetros por semana, operando predominantemente na retaguarda.
Atualmente, a principal causa de perda de robôs ucranianos são os drones kamikazes, o que torna indispensável a supervisão humana para alertar sobre mudanças súbitas no ambiente e ameaças aéreas, mesmo em trajetos automatizados.