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Uzbequistão implementará sistema de chuva artificial para combater a seca e a poluição atmosférica

06 de Abril de 2026 às 21:50

O governo do Uzbequistão implementará um sistema de chuva artificial em Tashkent e arredores até 1º de outubro de 2027. O projeto, financiado pelo Fundo Estatal de Objetivos Especiais, visa aumentar a precipitação entre 10% e 20% por meio da semeadura de nuvens

O governo do Uzbequistão estabeleceu a implementação de um sistema de chuva artificial em larga escala para enfrentar a seca, as altas temperaturas e a poluição atmosférica. Por meio de um decreto presidencial, a tecnologia de semeadura de nuvens será instalada em Tashkent e nos arredores da capital, com a operação total dos equipamentos prevista até 1º de outubro de 2027.

A meta do projeto é elevar a precipitação entre 10% e 20% acima dos índices naturais. Para viabilizar a iniciativa, o país criou o Fundo Estatal de Objetivos Especiais, destinado especificamente a questões ambientais. A estratégia será executada em etapas, baseando-se em modelos internacionais já utilizados por Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

A técnica consiste na dispersão de substâncias como gelo seco, sal ou iodeto de prata em nuvens existentes. Essas partículas atuam como núcleos de condensação, atraindo a umidade para formar gotas de água ou cristais de gelo com peso suficiente para precipitar. O processo não gera água, mas otimiza a chuva que a nuvem já teria potencial para produzir. Os dispositivos podem ser operados via solo ou acoplados a aeronaves, focando em áreas de baixa umidade onde as condições atmosféricas favorecem a formação de nuvens, mas a chuva não ocorre naturalmente.

A medida responde a uma crise climática severa na Ásia Central. O Uzbequistão lida com secas prolongadas e tempestades de poeira resultantes da degradação do Mar de Aral, cujo recuo drástico deixou vastas áreas de leito exposto. A expectativa é que o aumento da pluviosidade melhore a umidade do solo, reduza a concentração de poluentes e partículas de poeira no ar e amenize as temperaturas superficiais, beneficiando milhões de habitantes da região de Tashkent, especialmente nos meses mais quentes.

Apesar da estruturação da política pública, a eficácia da semeadura de nuvens é debatida cientificamente, pois depende da topografia, do tipo de nuvem e da presença de umidade mínima, sendo ineficaz em céus completamente limpos. Existe ainda a discussão sobre a possibilidade de a técnica reduzir a precipitação em regiões vizinhas.

O sucesso do programa uzbeque dependerá da eficiência na aplicação dos recursos do Fundo Estatal, dado que o país não dispõe do mesmo orçamento que potências como a China. Caso as metas sejam atingidas, o governo planeja expandir o modelo para outras áreas do país, podendo servir de referência para nações vizinhas com desafios climáticos semelhantes.

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