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Venezuela registra a sequência de terremotos mais intensa em mais de cem anos

27 de Junho de 2026 às 18:01

Uma sequência de terremotos na Venezuela deixou mais de 1.400 mortos, 3.200 feridos e 50 mil desaparecidos. A cidade de La Guaira é uma das áreas mais atingidas, com operações de resgate em prédios desabados. Unidades de saúde locais operam em estado de superlotação

Venezuela registra a sequência de terremotos mais intensa em mais de cem anos
Merly Andreina Quintero/ BBC

A Venezuela enfrenta a sequência de terremotos mais intensa em mais de cem anos, resultando em um cenário de devastação que já soma mais de 1.400 mortos e 3.200 feridos. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, por meio de Mark Fletcher, estima que existam mais de 50 mil desaparecidos, alertando que a complexidade das operações de resgate pode elevar significativamente o número de vítimas.

A cidade litorânea de La Guaira, capital do estado homônimo, é uma das áreas mais atingidas. No local, equipes de resgate nacionais e internacionais dividem espaço com voluntários e familiares que, utilizando marretas ou as próprias mãos, removem escombros de prédios desabados na tentativa de localizar sobreviventes. A população local tem manifestado insatisfação com a lentidão da resposta governamental diante da emergência.

Apesar do pessimismo técnico sobre a probabilidade de encontrar sobreviventes sob estruturas colapsadas, resgates pontuais trazem alívio à região. Em La Guaira, Dayana Patiño e seu filho de 18 dias foram localizados após 12 horas de buscas em um edifício de oito andares. A mãe e o bebê, que haviam sido dados como mortos, estavam soterrados e impossibilitados de se mover. O resgate ocorreu na madrugada de sexta-feira (26), com a retirada do recém-nascido seguida pela da mãe, uma hora depois. Devido à superlotação das unidades de saúde em La Guaira, ambos foram transferidos para uma clínica em Caracas.

A tragédia ocorre em um contexto de extrema fragilidade institucional e social. O país, grande produtor de petróleo, atravessa um colapso econômico que já dura mais de dez anos, comprometendo a eficiência dos serviços públicos e a capacidade de atendimento dos hospitais. Além disso, a Venezuela vive um período de transição política instável, seis meses após a derrubada e prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Enquanto a ajuda especializada chega, a angústia persiste entre os parentes dos desaparecidos. Marjosly Salazar, de 40 anos, exemplifica o drama local: após perder a filha de 16 anos no sismo, ela continua as buscas por uma prima e pelo filho Gael, de cinco meses.

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