Xi Jinping e Donald Trump discutem risco de conflito militar durante cúpula bilateral em Pequim
Xi Jinping e Donald Trump discutiram a "Armadilha de Tucídides" durante cúpula bilateral em Pequim. O conceito trata do risco de conflito militar quando uma potência emergente desafia a hegemonia de uma nação dominante
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Durante cúpula bilateral em Pequim, o presidente da China, Xi Jinping, abordou com Donald Trump a "Armadilha de Tucídides", conceito histórico que reflete o risco de conflito militar quando uma potência emergente desafia a hegemonia de uma nação dominante. A menção ocorreu em um cenário de alta tensão, marcado por disputas comerciais, competição tecnológica e atritos envolvendo Taiwan.
O termo originou-se nos relatos de Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso, no século 5 a.C., quando a ascensão de Atenas provocou o temor de Esparta, resultando em guerra. Atualmente, a rápida transformação do equilíbrio global de poder, impulsionada pelo crescimento econômico, militar e tecnológico chinês, estabelece um paralelo entre a China e Atenas, enquanto os Estados Unidos assumem o papel de Esparta, tentando manter a preponderância mundial.
Embora a rivalidade entre potências frequentemente culmine em confrontos armados — como ocorreu entre a Casa de Habsburgo e a França no século 16, ou entre a Alemanha e o bloco liderado pelo Reino Unido na Primeira Guerra Mundial —, a história demonstra que o conflito não é inevitável. Um estudo da Universidade de Harvard analisou 16 casos de ascensão de nações nos últimos 500 anos; destes, 12 terminaram em guerra, mas quatro serviram como exceções.
Entre os casos de resolução pacífica, destacam-se o Tratado de Tordesilhas em 1494, que evitou a guerra entre Portugal e Espanha, e a transição de poder no final do século 19, quando o Reino Unido acomodou a ascensão econômica e naval dos Estados Unidos. Outro exemplo relevante foi a Guerra Fria, na qual EUA e União Soviética administraram a disputa global sem recorrer ao combate direto, e a ascensão da Alemanha reunificada a partir da década de 1990, que optou por liderar a ordem econômica europeia em vez de buscar dominância militar.
Atualmente, tanto as potências quanto seus aliados enfrentam atritos crescentes na região da Ásia-Pacífico e disputam influência global. Contudo, a postura adotada por Xi e Trump durante o encontro em Pequim sinaliza uma tentativa de reduzir as probabilidades de que as duas nações caiam na armadilha descrita pelo historiador grego.