Aliados de Flávio Bolsonaro evitam endossar carta em que senador se autoproclama presidente eleito
Aliados de Flávio Bolsonaro evitaram endossar carta na qual o senador se autoproclamou "presidente eleito". Apenas José Medeiros reproduziu a versão original do texto, enquanto Rogério Marinho negou alegações de fraude e Valdemar Costa Neto manifestou descontentamento
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A maioria dos aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) evitou endossar a carta publicada pelo senador na última quarta-feira (28), na qual ele se autoproclamou "presidente eleito" antes de alterar o termo para "líder do Brasil". Dos 15 parlamentares e apoiadores que acompanharam o senador em seu discurso após a derrota na votação de domingo (25), apenas um reproduziu a versão original do texto.
Reações na base aliada
O senador eleito José Medeiros (PL-MT) foi o único a publicar em suas redes sociais a primeira versão do documento, mantendo no ar a afirmação de Flávio como "presidente eleito", mesmo após a retificação feita pelo autor da carta.
Outros nomes do PL adotaram posturas de distanciamento ou silêncio:
- Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e ex-coordenador de campanha, negou as alegações de fraude eleitoral contidas no texto, afirmando que não existem provas para tal declaração e sugerindo que houve um "erro de confecção" no documento. Marinho limitou-se a concordar com a definição de Flávio como "líder".
- Nikolas Ferreira (PL-MG) não comentou o teor da carta, restringindo-se a mencionar a repercussão do termo "autodeclaração" nas redes sociais.
- Valdemar Costa Neto, presidente do PL, manifestou explicitamente seu descontentamento com a publicação da carta.
Até o momento, não houve manifestação sobre o conteúdo do texto por parte de figuras como Bia Kicis, Deltan Dallagnol, Guilherme Derrite, Lucas Pavanato, Pablo Marçal, Marcel van Hattem, Frederick Wassef, além dos governadores eleitos Douglas Ruas (RJ) e Luciano Zucco (RS), e a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, e o vice na chapa presidencial, Alfredo Gaspar.
Críticas da oposição e do governo
Parlamentares e ministros reagiram ao documento com ironias e críticas ao tom do texto. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, classificou a carta como golpista e defendeu a soberania do voto popular. No mesmo sentido, o presidente do PT, Edinho Silva, relacionou a atitude ao histórico de tentativas de golpe, citando os eventos de 8 de janeiro de 2023.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o deputado eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP) focaram na contradição entre a promessa de Flávio de não deixar o país e sua viagem aos Estados Unidos. Cortez comparou a estratégia de autoproclamação à de Juan Guaidó na Venezuela.
Outras reações incluíram:
- O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que utilizou a situação para fazer comentários jocosos sobre "autoproclamações" pessoais.
- O senador Humberto Costa (PT-PE), que compartilhou a repercussão negativa da carta na imprensa.
Ainda não se manifestaram publicamente sobre o episódio o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja da Silva, o ministro Alexandre Padilha, além de Guilherme Boulos, Rafael Fonteles, Marília Arraes, Teresa Leitão e Camilo Santana.