Argentina impede entrada de jornalista brasileiro e cancela sua residência permanente no país
O jornalista Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12) após ter sua residência permanente cancelada. A Direção Nacional de Migrações aplicou a medida e proibiu o reingresso do profissional ao país por cinco anos

O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de ingressar na Argentina nesta segunda-feira (12). Ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires, o profissional teve sua residência permanente cancelada pelas autoridades migratórias, que aplicaram, ainda, uma proibição de reingresso ao país pelo prazo de cinco anos.
Justificativa e contestação migratória
A decisão da Direção Nacional de Migrações (DNM) baseou-se em um decreto de 2025, que prevê a anulação da permissão de residência quando as condições de concessão do documento não são cumpridas. As autoridades alegaram que Tomaz, que possuía o benefício desde janeiro de 2022 com validade até 2037, não teria mantido a residência regular no território argentino desde a obtenção do documento.
O jornalista contesta a fundamentação, afirmando que manteve viagens ao país, tendo permanecido 36 dias em território argentino apenas no ano de 2026. Embora Tomaz considere possível recorrer da sanção, ele avalia que a recuperação da residência permanente é improvável.
Suspeitas de motivação política
Tomaz associa o impedimento de entrada a embates ocorridos nas redes sociais entre julho e agosto com membros do governo de Javier Milei. O jornalista aponta conflitos específicos com Juan Pablo Carreira (conhecido como Juan Doe), diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina, além de críticas feitas a um canal de streaming que classificou como instrumento de comunicação política governamental.
O profissional, que viajou à Argentina para registrar a situação econômica do país, relacionou o episódio a uma escalada autoritária e à crise socioeconômica argentina. No entanto, os documentos apresentados não comprovam que a medida migratória tenha sido motivada por suas críticas. Vale notar que o governo Milei editou, este ano, um decreto que autoriza a expulsão de estrangeiros que incitem a violência ou dirijam mensagens de ódio contra cidadãos ou o povo argentino.
Perfil e repercussão institucional
Residente em Brasília e ex-assessor parlamentar na Câmara dos Deputados, Rogério Tomaz Jr. produz conteúdos sobre a inflação, privatizações e cortes de gastos públicos na Argentina. Ele escreve atualmente um livro sobre a gestão de Milei, com lançamento previsto para fevereiro de 2027.
O caso gerou reações de entidades da categoria. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiram nota de repúdio à deportação, defendendo que o exercício da profissão não deve ser motivo para perseguições ou expulsões.
Após o ocorrido, o jornalista retornou ao Brasil, com destino final a Brasília.