Áudio sobre repasses para filme de Jair Bolsonaro gera pedidos de investigação contra Flávio Bolsonaro
Áudio divulgado pelo Intercept Brasil mostra senador Flávio Bolsonaro solicitando R$ 134 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro. Partidos de oposição e parlamentares pediram investigações à PF, PGR, STF, CGU e TCU. O deputado Hélio Lopes solicitou ao STF e ao TSE a identificação da origem dos vazamentos
A divulgação de um áudio gravado em setembro do ano passado, no qual o senador Flávio Bolsonaro solicita a Daniel Vorcaro repasses de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, desencadeou uma série de representações judiciais e pedidos de investigação em Brasília. O conteúdo, que inclui mensagens entre o parlamentar e o banqueiro, foi tornado público nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil.
Diante dos fatos, partidos de oposição formalizaram notícias-crime junto à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria Geral da República (PGR). O PT solicitou a abertura de inquérito e a prisão do senador, enquanto o PSOL requereu a investigação e o acesso aos registros telefônicos e telemáticos das comunicações entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e demais envolvidos com o Banco Master.
A ofensiva jurídica se estende a outras instâncias. O deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), a Controladoria Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e a PGR para apurar a destinação de emendas parlamentares, repasses financeiros e os vínculos entre entidades ligadas a parlamentares de direita e a obra cinematográfica sobre o ex-presidente. Paralelamente, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou que solicitará à PF a investigação da relação entre Vorcaro e a família Bolsonaro.
Em contrapartida, o deputado Hélio Lopes, aliado da família Bolsonaro, protocolou pedidos no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O parlamentar requer o rastreamento da origem dos vazamentos de informações de investigações e a identificação de eventuais responsabilidades.
Embora a PF e a PGR possuam autonomia para instaurar inquéritos ao STF independentemente de representações partidárias, a prática de protocolar ações por parlamentares é recorrente no cenário político para ampliar a visibilidade de seus integrantes durante escândalos de grande repercussão.