Augusto Cury defende que o STF solucione crise institucional no prazo de uma semana
O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, solicitou que o STF resolva a crise institucional interna em uma semana. Em palestra em São Paulo, Cury propôs a educação em tempo integral e a ocupação de metade dos ministérios por mulheres. O presidente do tribunal, Edson Fachin, negou o pedido de julgamento conjunto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça
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Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) solucione a crise institucional interna no prazo de uma semana. A declaração ocorreu neste sábado (12), em São Paulo, após o candidato ministrar uma palestra de 45 minutos para cerca de 300 profissionais da área médica.
Cury orientou que o eleitor evite candidatos que figurem na lista do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na mesma ocasião, o candidato apresentou propostas para a gestão pública, como a meta de que mulheres ocupem metade dos ministérios do governo e a priorização da educação em tempo integral, com a implementação de condições para a permanência prolongada de estudantes nas escolas.
Durante a atividade na capital paulista, Cury abordou temas de saúde mental e psiquiatria, tratando de questões como bem-estar emocional, autoestima e o crescimento dos índices de feminicídio e violência contra a mulher. Após o evento, a agenda do candidato incluiu uma reunião fechada com empresários em Porto Feliz, no interior de São Paulo, e a gravação de materiais em seu escritório de campanha.
Impasse no STF
A instabilidade no STF, referida como "Crise Master", teve início em setembro, motivada por relatórios da Polícia Federal. Os documentos indicam trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes sobre operações policiais. As investigações também apuram a atuação de Moraes na edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia de sua esposa.
Simultaneamente, a Polícia Federal levantou suspeitas de direcionamento e assimetria na condução das operações Compliance Zero e Sem Desconto pelo ministro André Mendonça.
Decisões e Sigilos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou a manutenção do sigilo dos autos junto ao presidente do STF, Edson Fachin, alegando que a divulgação parcial das peças comprometia a transparência da investigação. Fachin determinou que Mendonça retirasse o segredo das apurações em 24 horas, ordem que foi cumprida com a liberação de diversos procedimentos.
Mendonça justificou que a manutenção do sigilo em trechos específicos foi uma medida para resguardar dados fiscais, bancários e investigações em curso. No entanto, Alexandre de Moraes contestou a medida via ofício, acusando o colega de realizar uma "escolha seletiva" ao disponibilizar apenas 15 procedimentos incompletos e omitir 180 arquivos do sistema do tribunal.
Moraes solicitou à Presidência do STF a derrubada total do sigilo, a intimação de magistrados citados e a unificação do julgamento de sua conduta com a de Mendonça. Em despacho publicado neste sábado (12), Edson Fachin negou o pedido de julgamento conjunto. A análise da petição sobre Moraes foi agendada para o dia 23 de setembro, enquanto a Sessão Plenária Extraordinária permanece mantida para avaliar a relatoria de Mendonça.