Bancada do PL no Senado diverge sobre candidatura à presidência da Casa em fevereiro
A bancada do Partido Liberal no Senado divide-se entre disputar a presidência da Casa em fevereiro contra Davi Alcolumbre ou adotar cautela para evitar perda de influência. A decisão final será tomada em reunião marcada para a próxima quarta-feira (4)
A bancada do Partido Liberal (PL) no Senado Federal enfrenta um impasse interno sobre a estratégia para a sucessão da presidência da Casa, prevista para fevereiro. Embora o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN) manifestem interesse em disputar o cargo contra Davi Alcolumbre (União-AP), há divergências profundas entre os parlamentares eleitos sobre a viabilidade desse enfrentamento.
A partir de 2027, o PL deterá a maior representação no Senado, com 29 senadores. No entanto, essa força numérica não é consenso para a disputa do comando da Casa.
Divergências internas e riscos institucionais
O racha na legenda divide-se entre a ala ideológica e os parlamentares pragmáticos. O grupo mais ideológico, representado por nomes como o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), defende o embate direto contra Alcolumbre. O argumento central é a necessidade de mudar a presidência para viabilizar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco em Alexandre de Moraes. Jordy cita como motivação a recente decisão do ministro de cancelar e confiscar os passaportes de Flávio Bolsonaro.
Em contrapartida, senadores como Efraim Filho (PL-PB) pregam a cautela. O temor é que uma derrota eleitoral resulte na perda de influência política, deixando o partido sem cargos na Mesa Diretora e sem a presidência de comissões importantes.
Esse receio baseia-se em um precedente recente: em 2023, Rogério Marinho disputou a presidência contra Rodrigo Pacheco e foi derrotado por 49 votos a 32. Na ocasião, apesar de possuir a segunda maior bancada, o PL ficou sem comando de comissões e sem espaço na Mesa Diretora durante o biênio.
Articulações de Davi Alcolumbre
Paralelamente, Davi Alcolumbre trabalha para consolidar sua permanência no cargo, independentemente do resultado das eleições presidenciais. A estratégia do senador do Amapá inclui a tentativa de fragmentar a unidade do PL. Uma das propostas para atrair a legenda seria a entrega da relatoria do projeto de Lei Orçamentária de 2027 ao vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO).
A posição de Alcolumbre foi fortalecida após a vitória de Lula no último domingo. Nesta terça-feira (27), a federação composta por União Brasil e PP oficializou o apoio à sua reeleição, tendência que deve se expandir entre as siglas do Centrão.
A definição final sobre o lançamento ou não de uma candidatura do PL ocorrerá em reunião da bancada marcada para a próxima quarta-feira (4).