Bispos publicam manifesto sobre eleições de 2026 e defendem voto baseado na Doutrina Social
Quarenta e sete bispos brasileiros publicaram manifesto orientando fiéis a votarem no segundo turno de 2026 com base na Doutrina Social da Igreja. O documento critica propostas que ameaçam a democracia e a soberania nacional, contrastando as candidaturas em disputa
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Um grupo de 47 bispos, arcebispos e bispos eméritos, representando cerca de 9,4% do episcopado brasileiro, publicou nesta quinta-feira (22) um manifesto direcionado aos fiéis católicos sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O documento, intitulado "Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus", defende que a escolha eleitoral deve ser pautada pela Doutrina Social da Igreja (DSI) e pelos ensinamentos do Evangelho.
Os religiosos argumentam que o cenário atual não representa apenas uma disputa partidária, mas a possibilidade de uma alteração drástica nos rumos do país, traçando paralelos com regimes autoritários do século XX. Para os signatários, a neutralidade não é viável diante de candidaturas que, segundo o texto, ameaçam a democracia, a soberania nacional e o bem comum.
Pontos de divergência e críticas
Embora a carta não cite nominalmente os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o texto estabelece contrastes claros entre as propostas em disputa e os valores da Igreja. Os bispos apontam que uma das candidaturas entra em conflito direto com a DSI em diversas frentes:
- Direitos Trabalhistas: Críticas à proposta de pagamento de salário por hora trabalhada e à oposição ao fim da escala 6x1, o que seria contrário à dignidade do trabalhador.
- Soberania e Diplomacia: Repúdio a promessas de submissão do Brasil aos Estados Unidos, incluindo a entrega de terras raras para exploração estrangeira e a defesa de intervenções externas nas eleições brasileiras.
- Políticas Sociais: Questionamento a partidos que historicamente se opuseram a programas de combate à pobreza, contrariando a opção preferencial pelos pobres.
- Segurança e Direitos Humanos: Condenação da defesa da tortura e do estímulo ao acesso amplo a armas, prática atribuída ao governo do pai de um dos candidatos.
- Meio Ambiente: Alerta sobre a negação da crise climática e a continuidade de políticas de devastação, citando a Lei da Devastação (nº 15.190/2025).
Posicionamento institucional
O manifesto afirma que um dos candidatos é filho de um ex-presidente condenado por atentar contra a ordem constitucional, alertando que a eleição de tal perfil poderia levar a uma usurpação do poder estatal por interesses ideológicos, especialmente se houver maioria no Congresso Nacional e no STF.
Em contrapartida, o grupo menciona que a outra candidatura, apesar de passível de críticas, tem demonstrado responsabilidade com a "Casa Comum", com a população carente e respeito aos limites da Constituição.
A manifestação reúne religiosos de 19 estados brasileiros. De acordo com dados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de outubro de 2026, o país possui 498 bispos (325 ativos e 173 eméritos). A CNBB foi procurada para comentar a carta, mas não enviou resposta até o momento.
Os bispos convocam os católicos a votarem no dia 25 de outubro em defesa dos valores humanitários e da estabilidade democrática.