Política

Brasil anuncia envio de ajuda humanitária à Bolívia para mitigar efeitos de protestos e bloqueios

26 de Maio de 2026 às 06:14

O governo brasileiro anunciou, na segunda-feira (25/05), o envio de ajuda humanitária à Bolívia para enfrentar o desabastecimento de alimentos, combustíveis e remédios. A medida ocorreu após diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz

Brasil anuncia envio de ajuda humanitária à Bolívia para mitigar efeitos de protestos e bloqueios
Reuters

O governo brasileiro anunciou, na segunda-feira (25/05), o envio de ajuda humanitária à Bolívia para mitigar os efeitos de sucessivos protestos e bloqueios rodoviários que assolam o país há quase um mês. A decisão foi formalizada após diálogo telefônico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz. Em nota oficial, a Presidência do Brasil manifestou solidariedade ao povo boliviano, enfatizando a necessidade de respeito ao Estado de Direito e às instituições democráticas, além de defender que o diálogo prevaleça sobre a violência para a resolução de divergências.

A assistência solicitada por Rodrigo Paz, presidente de centro-direita, ocorre em um cenário de grave desabastecimento de medicamentos, combustíveis e alimentos. Outras nações também reagiram à crise: a Argentina mobilizou a Força Aérea para estabelecer pontes aéreas de transporte de mantimentos, enquanto os Estados Unidos classificaram a situação como uma crise humanitária e definiram as manifestações como tentativas de desestabilizar o governo eleito. Em contrapartida, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, interpretou a mobilização como um levante popular.

A instabilidade política na Bolívia, que se intensificou seis meses após a posse de Paz, é impulsionada por uma coalizão de sindicatos, como a Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales. Estes setores exigem a renúncia do mandatário, alegando que as promessas de campanha não foram cumpridas. O governo, por sua vez, atribui a liderança dos protestos a Morales, que nega a acusação e enfrenta um processo judicial por suposto tráfico de pessoas, tendo sido declarado em desacato à autoridade judicial em 11 de maio.

As tensões foram desencadeadas, no final de abril, pela Lei 1720, que permitia a conversão de pequenas propriedades rurais em médias para facilitar a obtenção de crédito. A medida foi interpretada por camponeses e pela Federação Camponesa Túpac Katari como um estímulo à venda de terras para grandes latifundiários, resultando em bloqueios em mais de 30 pontos rodoviários. Embora o presidente tenha revogado a lei na semana passada, as manifestações persistiram e se expandiram.

Outros fatores agravam a crise social. Professores realizaram greves por reajustes salariais diante de uma inflação que atingiu 20% ao final de 2025, embora tenha apresentado declínio recente. No setor de transportes, a eliminação de subsídios aos combustíveis elevou os preços e gerou questionamentos sobre a qualidade do produto. Análises técnicas do Instituto de Pesquisa Química da Universidade Superior de San Andrés (UMSA) confirmaram que a gasolina disponível não atendia aos padrões de qualidade, prejudicando motores e contribuindo para a paralisia de serviços essenciais, como a coleta de lixo em La Paz, suspensa em 16 de maio.

No campo institucional, o governo de Rodrigo Paz propôs, em 9 de maio, a criação de uma comissão para realizar uma reforma parcial da Constituição de 2009. O objetivo é alterar as normas de mineração e hidrocarbonetos para atrair investimentos. A proposta é duramente criticada por movimentos sociais alinhados a Evo Morales, que veem a medida como um caminho para a privatização dos recursos naturais, argumento negado pelo presidente boliviano.

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