Brasil completa sete dias sem representação diplomática na Argentina após ofensas de Javier Milei
O Brasil está há sete dias sem embaixador na Argentina após a convocação de Julio Bitelli, motivada por ofensas de Javier Milei a Lula e Alexandre de Moraes. Paralelamente, o governo de Santiago Peña pediu explicações ao Brasil sobre falas de Lula sobre a Guerra do Paraguai
O Brasil completa, nesta segunda-feira (3), sete dias sem representação diplomática na Argentina. A crise nas relações bilaterais resultou na convocação imediata do embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, que retornou a Brasília e já realizou três reuniões com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O desgaste diplomático foi desencadeado pela presença do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do PL, evento que lançou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Durante a ocasião, Milei referiu-se ao presidente Lula como "presidiário" e dirigiu-se ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca".
Reações institucionais e diplomáticas
Em resposta às ofensas, o presidente do STF, Alexandre de Moraes, classificou as declarações de Milei como incompatíveis com a civilidade esperada entre nações. O presidente Lula também reagiu publicamente, definindo as falas do governante argentino como "patacoada" e questionando a identidade do interlocutor ao ser indagado sobre as críticas.
Apesar da tensão, integrantes do Itamaraty avaliam que a tendência é o retorno do embaixador brasileiro a Buenos Aires, desde que não ocorram novos ataques por parte de Milei. Paralelamente, o governo argentino implementou um decreto para a expulsão de estrangeiros motivados por "ódio" à Argentina, medida que poderá enfrentar entraves jurídicos.
Tensões na Tríplice Fronteira
A instabilidade diplomática brasileira estende-se ao Paraguai. O governo do presidente Santiago Peña solicitou explicações ao embaixador brasileiro em Assunção após declarações de Lula. O presidente brasileiro afirmou que o país vizinho invadiu o Brasil, evento que teria levado à deflagração da Guerra do Paraguai.
Enquanto lida com as crises regionais, o governo brasileiro mantém a agenda internacional, com destaque para a conversa telefônica entre Lula e Xi Jinping para discutir a viabilidade de um acordo comercial entre o Mercosul e a China.