Brasil defende a indicação de mulheres latino-americanas para a liderança da ONU
O Ministério das Relações Exteriores defende a indicação de mulheres latino-americanas para a liderança da ONU após a desistência de Michelle Bachelet. O governo brasileiro busca um substituto comprometido com o multilateralismo e o direito internacional. A ex-chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, lidera a votação preliminar no Conselho de Segurança
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/u/R/QVaBUPQVCQuTyOUSowAw/53879254269-b9edf2b19e-k.jpg)
O Ministério das Relações Exteriores manifestou que a região latino-americana possui mulheres qualificadas para a liderança da Organização das Nações Unidas (ONU). O posicionamento ocorre após a desistência de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, que retirou sua candidatura ao cargo no último sábado (19).
A candidatura de Bachelet havia perdido o respaldo do governo chileno após a ascensão de Antonio Kast à presidência do país em março. Até então, o nome da ex-presidente era sustentado por uma coordenação conjunta entre Brasil e México, sob as gestões de Lula e Cláudia Sheinbaum.
Critérios para nova indicação
O Itamaraty informou que ainda não há um nome definido para substituir Bachelet na preferência brasileira. O governo federal estabeleceu que o perfil do futuro Secretário-Geral deve ser pautado pelo compromisso com o multilateralismo, o direito internacional e os pilares da Carta da ONU, que abrangem o desenvolvimento sustentável, os direitos humanos, a paz e a segurança.
Em nota oficial, o Brasil agradeceu a parceria inédita com o México durante a campanha de Bachelet e defendeu que o processo de seleção seja inclusivo e transparente.
Agenda de Lula na Assembleia Geral
O presidente Lula cumpre agenda em Nova York, onde participa do debate-geral da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira. A expectativa é que o mandatário utilize o discurso para:
- Defender a estrutura do multilateralismo;
- Manifestar críticas a conflitos e guerras globais;
- Reafirmar a soberania brasileira, diante de percepções governamentais sobre tentativas de influência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras.
A estratégia diplomática prevê a utilização de uma linguagem polida, permitindo a crítica a investidas norte-americanas sem a menção direta ao presidente Donald Trump, evitando embates frontais com outros chefes de Estado.
Funcionamento da liderança da ONU
O cargo de Secretário-Geral funciona como a chefia administrativa e a principal representação diplomática da organização. O ocupante da função coordena as atividades da ONU, atua na mediação de conflitos e alerta o Conselho de Segurança sobre crises globais, embora não possua autoridade para impor decisões unilaterais aos Estados-membros.
A eleição é realizada pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança, para um mandato de cinco anos, com possibilidade de uma única reeleição. O atual gestor, António Guterres, encerra seu segundo mandato consecutivo em 31 de dezembro.
Em votação preliminar ocorrida em agosto no Conselho de Segurança, a ex-chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, posicionou-se como favorita ao cargo, somando oito votos favoráveis.