Brasil registra a maior abstenção da história em primeiro turno de eleição presidencial
Brasil registrou recorde de abstenção em eleição presidencial, com 33,5 milhões de eleitores ausentes, equivalendo a 21,08% do eleitorado. Somando-se votos em branco e nulos, a não participação efetiva chegou a 24,8%. Candidatos Lula e Flávio Bolsonaro mobilizam esforços para atrair esse grupo no segundo turno
O Brasil registrou o maior índice de abstenção da história em uma eleição presidencial, com aproximadamente 33,5 milhões de eleitores ausentes nas urnas no primeiro turno. O volume de pessoas que não compareceram corresponde a 21,08% do eleitorado apto, o que significa que um a cada cinco brasileiros deixou de votar.
Somando-se aos abstencionistas, os eleitores que optaram por votos em branco ou nulo elevaram a parcela de não participação efetiva na disputa para 24,8%. De acordo com levantamento do Datafolha, as principais justificativas para a ausência no pleito foram questões de saúde, viagens, trabalho e o desinteresse geral.
Mobilização para o segundo turno
Diante desse cenário, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços para atrair esse contingente de votos para a etapa final da eleição.
- Lula realizou um ato na Avenida Paulista, onde convocou seus apoiadores a dialogarem com aqueles que não votaram no primeiro turno, classificando a conversa como uma obrigação.
- Flávio Bolsonaro reuniu-se com prefeitos do estado de São Paulo para solicitar a mobilização de aliados, afirmando que a campanha não pode "baixar a guarda".
Análise do comportamento eleitoral
O cientista político Jairo Nicolau, pesquisador da FGV-RJ e autor de obras sobre o histórico eleitoral brasileiro, analisa que a atual conjuntura funciona como um "terceiro turno" de 2022. Para o pesquisador, a abstenção não é motivada exclusivamente pelo desinteresse político, e a mobilização desse grupo para o segundo turno poderá depender do surgimento de fatos novos que incentivem o comparecimento às urnas.