Política

Brics defende reforma do Conselho de Segurança da ONU em documento final de cúpula na Índia

12 de Setembro de 2026 às 15:00 3 min de leitura

Líderes do Brics encerraram cúpula em Nova Delhi com documento que prioriza a estabilidade geopolítica, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a fluidez do comércio global. O texto defende o uso de moedas locais em pagamentos e a criação de um painel contra a desigualdade

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Líderes e representantes do Brics encerraram a reunião de Cúpula em Nova Delhi, na Índia, com a divulgação de um documento oficial intitulado “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”. A declaração, publicada neste sábado (12), prioriza a estabilidade geopolítica, a reforma de instâncias multilaterais e a fluidez do comércio global.

Tensões no Oriente Médio e Diplomacia

O grupo manifestou profunda preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio (Ásia Ocidental). O texto convoca as nações envolvidas a exercerem a máxima contenção e a evitarem medidas que agravem a instabilidade na região.

A cautela na redação do documento, que possui 140 parágrafos, reflete a complexidade das relações internas do bloco. Embora a declaração não cite nominalmente os países ou utilize o termo "guerra", o contexto envolve o conflito iniciado em fevereiro deste ano, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã sob a justificativa de desenvolvimento de armas nucleares — acusação negada por Teerã. Em resposta, o Irã atingiu a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, ambos membros do Brics e aliados americanos.

Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Um dos eixos centrais da Cúpula foi a defesa de mudanças no Conselho de Segurança da ONU. O Brics defende que o órgão, responsável pela paz e segurança global, torne-se mais representativo, democrático e eficiente, ampliando a participação de países em desenvolvimento.

Atualmente, o conselho conta com 15 membros, sendo cinco permanentes com poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. No documento, China e Rússia reiteraram o apoio para que o Brasil e a Índia assumam papéis de maior relevância na organização, embora o texto não especifique a concessão de assento permanente ao governo brasileiro.

Comércio Internacional e Economia

O bloco criticou a imposição de tarifas unilaterais e barreiras não tarifárias no comércio global, classificando tais medidas como distorções que contrariam as normas da Organização Mundial do Comércio. O documento evita mencionar nominalmente os Estados Unidos, que implementaram a política de tarifas contra parceiros comerciais, incluindo Brasil, China e Índia, desde que Donald Trump assumiu a presidência em 2025.

No campo financeiro, os signatários indicaram o avanço para a implementação de mecanismos de pagamentos transfronteiriços utilizando moedas locais. Não houve, contudo, qualquer menção à criação de uma moeda única do Brics ou à substituição do dólar.

Desenvolvimento Social e Participantes

A erradicação da pobreza extrema foi apontada como o principal desafio global e condição necessária para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, o documento registrou a proposta do Brasil e da África do Sul para a criação de um painel internacional focado no combate à desigualdade.

O encontro em Nova Delhi reuniu figuras centrais do cenário político, como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, e os presidentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Masoud Pezeshkian (Irã). O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e os Emirados Árabes Unidos foram representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

O Brasil, que presidiu o grupo em 2025, havia realizado a reunião anual em julho, no Rio de Janeiro.

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