Campanha de Flávio Bolsonaro articula manobras para impedir votação de PECs no Senado
A coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro tenta barrar a votação das PECs do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública no Senado. O PL baseia a estratégia no cumprimento do regimento interno, enquanto o governo federal articula a aprovação das medidas para a próxima semana. O senador Omar Aziz deve divulgar parecer favorável à pauta trabalhista ainda nesta semana
A coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República articula manobras para impedir a votação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) no Senado: a do fim da escala 6x1 e a da Segurança Pública. Apesar dos esforços para barrar as medidas, a oposição admite internamente que as propostas possuem viabilidade de aprovação caso cheguem ao plenário.
A estratégia do PL baseia-se na exigência do cumprimento rigoroso do regimento interno da Casa, especialmente no que diz respeito ao intervalo mínimo de cinco sessões entre as votações de primeiro e segundo turno de uma PEC. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, deve defender publicamente a relevância dos temas, mas argumentará que a complexidade das matérias exige debates mais profundos, o que inviabilizaria a votação durante o período eleitoral.
Articulação política e cenário no Senado
A expectativa inicial do PL de que as propostas travassem devido a divergências entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi frustrada pela reaproximação entre os dois líderes. Atualmente, o ambiente político é visto como favorável à votação de ambas as PECs durante o esforço concentrado programado para a próxima semana.
Internamente, integrantes do PL consideram a possibilidade de aprovação, lembrando que a maioria dos deputados da própria legenda votou a favor das medidas durante a tramitação na Câmara dos Deputados. Aliados do candidato do PL avaliam que senadores da oposição teriam dificuldades políticas em votar contra tais pautas em plena campanha.
Mobilização do Governo Federal
O presidente Lula tem intensificado a defesa da redução da jornada de trabalho nas redes sociais. Em publicações realizadas nesta segunda (24) e terça (25), o presidente afirmou que seu governo está empenhado na aprovação da medida e criticou quem atua contra os interesses dos trabalhadores.
Para alinhar a agenda legislativa da próxima semana, Lula se reúne nesta quarta-feira (26) com Davi Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Além das PECs, o Palácio do Planalto busca a aprovação de:
- Medida provisória para a extinção da taxa das blusinhas;
- Projeto de regulamentação da exploração de terras raras no Brasil, visando a transição energética e a indústria de tecnologia.
Tramitação da pauta trabalhista
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC do fim da escala 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), informou que divulgará um parecer favorável ainda nesta semana. A previsão é que o relatório seja votado na próxima semana, tanto na CCJ quanto no plenário do Senado, acelerando a tramitação da proposta.