Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégias diferentes para mobilizar eleitores na reta final
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotam estratégias distintas para o primeiro turno deste domingo (4). O PT foca na redução da abstenção de eleitores acima de 70 anos, enquanto o PL aposta no voto útil de direita. Pesquisa Datafolha indica liderança de Lula com 45% dos votos válidos contra 40% de Flávio Bolsonaro
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As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram abordagens distintas para a mobilização de eleitores na reta final para o primeiro turno, marcado para este domingo (4). Enquanto a estratégia petista foca no combate à abstenção, especialmente entre o público idoso, a equipe de Flávio Bolsonaro aposta na migração de votos de direita e no chamado voto útil.
Mobilização do eleitorado sênior
A coordenação de campanha de Lula, liderada por Edinho Silva, manifestou preocupação com a tendência global de descrença na democracia representativa, que reflete no aumento da abstenção. Para mitigar esse efeito, o PT intensificou ações nas redes sociais e lançou o site "Geração Lula", plataforma com cartilhas e orientações específicas para garantir a presença nas urnas de eleitores com mais de 70 anos.
O próprio presidente Lula reforçou esse apelo publicamente durante evento no Rio de Janeiro, incentivando cidadãos acima de 70 anos — para quem o voto é facultativo — a comparecerem ao pleito motivados pelo bem-estar de filhos e netos.
A estratégia fundamenta-se em dados demográficos e estatísticos:
- O eleitorado com mais de 70 anos soma quase 17 milhões de pessoas em 2026, representando mais de 10% do total de aptos, um crescimento de 15,75% em relação a 2022.
- No pleito anterior, a abstenção geral foi de 20,95% (32,7 milhões de pessoas), com incidência elevada justamente na faixa etária mais velha.
- Pesquisa Datafolha indica que Lula detém vantagem competitiva nesse grupo, com 49% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro.
O levantamento do Datafolha também aponta a liderança do petista entre católicos (50% a 32%), no Nordeste (56% a 26%), entre pessoas com escolaridade fundamental (54% a 27%) e nas faixas de menor renda (50% a 28%). Em contrapartida, Flávio Bolsonaro lidera entre evangélicos (52% a 26%), no Sul (50% a 30%) e nos estratos de renda mais alta (47% a 37%).
Aposta no voto útil e impacto institucional
Diferente da campanha adversária, a equipe de Flávio Bolsonaro não demonstra preocupação com a abstenção. A estratégia do PL baseia-se na premissa de que o voto útil servirá como motor de mobilização, atraindo eleitores de direita que anteriormente apoiavam nomes como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
A narrativa da campanha vincula a disputa eleitoral a questões institucionais, especificamente a composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio Bolsonaro afirmou, em transmissão ao vivo, que sua vitória possibilitaria a indicação de novos ministros para a Corte.
Esse posicionamento foi intensificado após decisões da Justiça Eleitoral. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a TV Globo de exibir o púlpito vazio de Lula e impediu que outros candidatos fizessem perguntas ao presidente durante o debate presidencial. Flávio Bolsonaro desistiu de participar do programa, classificando a medida como censura.
Para os estrategistas do PL, o distanciamento de eleitores independentes em relação ao Judiciário, somado à possibilidade de Lula indicar quatro novos ministros ao STF, reforça a disposição desse grupo em votar em Flávio.
Cenário de indecisos e jovens
No levantamento mais recente do Datafolha, Lula lidera com 45% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro soma 40%. No entanto, entre os eleitores que não se identificam com o petismo ou o bolsonarismo, a disputa é equilibrada: 25% para Flávio e 24% para Lula.
Quanto ao eleitorado jovem, o TSE registra cerca de 1,6 milhão de eleitores de 16 e 17 anos para 2026, grupo com voto facultativo e que apresentou redução em comparação aos 2,1 milhões registrados em 2022.