Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro recalibram estratégias diante de crise institucional no STF
As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-SP) ajustam estratégias diante da crise institucional no STF. Enquanto Flávio Bolsonaro intensifica críticas ao ministro Alexandre de Moraes, Lula busca equilibrar a gestão governamental com a disputa eleitoral. Outros candidatos, como Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, também reagem ao cenário jurídico
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A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se um eixo central da disputa presidencial, forçando as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-SP) a recalibrar suas estratégias políticas e de comunicação. Enquanto o grupo do presidente busca equilibrar a gestão governamental com a imagem eleitoral, a equipe de Flávio Bolsonaro planeja intensificar as críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
Estratégias e riscos na campanha de Flávio Bolsonaro
A estratégia de Flávio Bolsonaro baseia-se na premissa de que a manutenção da crise no debate público favorece sua candidatura. O objetivo é consolidar a associação política entre o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, utilizando a narrativa de que "Lula é Moraes" em propagandas e no horário eleitoral.
Paralelamente, o senador utiliza o caso Dark Horse e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro para sustentar um discurso de perseguição política. Em manifestação em Juiz de Fora (MG) nesta quarta-feira (9), Flávio afirmou ser alvo de tentativas de prejudicá-lo e seus aliados, comparando a situação a ataques anteriores sofridos por Jair Bolsonaro.
Apesar do otimismo eleitoral e da aposta na moderação de sua imagem sob a coordenação do marqueteiro Duda Lima, a campanha monitora com cautela a esfera jurídica. A recondução de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF) — decidida por Flávio Dino e mantida por Edson Fachin após a suspensão de ordens de André Mendonça — gera apreensão. O temor é que as investigações sobre emendas parlamentares ligadas ao filme Dark Horse resultem em medidas contra o deputado Mario Frias (PL-RJ) e outros integrantes da produtora, trazendo novamente o senador para o centro do inquérito.
O impasse institucional de Lula
Para a campanha de reeleição de Lula, o desafio é a dualidade entre o cargo de presidente e a disputa eleitoral. Há divergências internas sobre a proximidade com Alexandre de Moraes: enquanto alguns defendem o distanciamento do ministro, outros argumentam que a função presidencial impede críticas diretas ao magistrado.
No campo institucional, o governo interveio por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), recorrendo contra o afastamento da cúpula da PF para preservar a prerrogativa presidencial de nomeação e demissão do diretor-geral da corporagem.
Mesmo diante dessas limitações, o presidente Lula adotou uma postura mais rígida nesta quarta-feira (9), utilizando a rede social X para cobrar transparência e defender a quebra total do sigilo nas investigações do caso Master, citando o impacto dessas apurações no pleito. No âmbito partidário, o coordenador da campanha e presidente do PT, Edinho Silva, classificou o cenário como uma crise institucional, manifestando confiança na gestão de Edson Fachin para assegurar a transparência dos processos.
Reações de outros candidatos
A instabilidade no Judiciário também altera a dinâmica de outros nomes na disputa:
- Renan Santos (Missão): Vê a crise como um reforço à sua posição antissistema. Em entrevista à TV Jovem Pan, defendeu o impeachment de ministros do Supremo e afirmou que o próximo presidente deve enfrentar o STF.
- Ronaldo Caiado: Acusa Lula e Flávio de usarem o conflito para evitar debates eleitorais. Caiado planeja intensificar sua ofensiva política a partir de segunda-feira (14), focando o discurso no combate à corrupção.
- Romeu Zema: Mantém sua estratégia original de criticar excessos do STF. O ex-governador de Minas Gerais utiliza a série de vídeos Intocáveis, produzidos com inteligência artificial, para abordar o caso Master.
- Augusto Cury (Avante): Optou por se manter afastado da discussão, classificando o embate como excessivamente polarizado.