Política

Candidatos à Presidência apresentam disparidades no volume de propostas para o desenvolvimento do Nordeste

06 de Setembro de 2026 às 07:48 3 min de leitura

Levantamento de planos de governo no TSE revela que Ronaldo Caiado lidera em volume de propostas para o desenvolvimento regional do Nordeste, com 14 medidas. Outros candidatos com capítulos específicos incluem Augusto Cury, Renan Santos e Flávio Bolsonaro, enquanto Romeu Zema não menciona a região

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Candidatos à Presidência da República apresentam disparidades significativas no volume de propostas voltadas ao desenvolvimento regional do Nordeste em seus planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um levantamento indica que Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL) são os postulantes que mais dedicam espaço e medidas específicas para a região, reservando capítulos próprios em seus programas.

Detalhamento das propostas por candidato

Ronaldo Caiado lidera em volume de medidas, com 14 propostas específicas. Seu plano prevê a criação do Pacto Nordeste 2030, fundamentado em parcerias com gestores locais e o setor produtivo, além do fortalecimento de órgãos como a Sudene, o FNE e o BNB. O candidato defende a expansão de energias renováveis para atrair data centers e a melhoria da segurança pública para combater o crime organizado.

Augusto Cury apresenta nove propostas no capítulo "Brasil Oásis: Revolução no Semiárido", que engloba o Nordeste e o norte de Minas Gerais. Já Renan Santos propõe oito medidas focadas em industrialização e na criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), com a meta de transformar a região em um polo de exportação de inferência computacional.

Flávio Bolsonaro registra sete propostas, vinculando a instalação de data centers à oferta de energia solar e eólica para converter o Nordeste em um centro tecnológico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta seis propostas específicas, mas integra a região em diretrizes nacionais de conectividade, infraestrutura e segurança hídrica.

Ausências e abordagens pontuais

Entre os candidatos com relevância em pesquisas eleitorais, Romeu Zema (Novo) é o único que não faz menção ao Nordeste, citando o desenvolvimento regional apenas em políticas culturais. Outros nomes, como Hertz Dias (PSTU) e Wilson Grassi (Democrata), também não incluem a região ou o tema em seus planos.

Candidatos com propostas mais limitadas incluem:

  • Samara Martins (UP): Foca na proteção da Caatinga e defende a reforma agrária e a transformação da região em polo de ciência, tecnologia e alimentos.
  • Pablo Marçal (PRTB): Apresenta medidas genéricas de desenvolvimento regional (embora sua elegibilidade ainda seja decidida pelo TSE).
  • Clariana Barão (DC) e Edmilson Costa (PCB): Mencionam combate a desigualdades ou "regiões menos assistidas" sem citar especificamente o Nordeste.

Rui Costa Pimenta (PCO) argumenta que seu programa se aplica integralmente ao Nordeste, dispensando um capítulo à parte por não tratar a região como um problema administrativo isolado. Suas propostas incluem a expropriação de latifúndios e a estatização de bancos.

Análise técnica e regional

A economista e socióloga Tânia Bacelar explica que o Brasil opera com políticas implícitas (nacionais, mas que beneficiam a região, como a expansão do ensino superior) e explícitas (direcionadas, como os Fundos Regionais). Segundo a especialista, o Centro-Oeste, por possuir base produtiva dinâmica ligada ao agronegócio, prescinde de tratamento especial, diferentemente do Norte e Nordeste, onde é necessário destravar o potencial econômico.

Já o cientista político Arthur Leandro observa que a priorização do Nordeste nos planos de governo reflete a tendência de tratar a região como estratégica para o desenvolvimento nacional, além de possuir um componente eleitoral, dado que pesquisas do Datafolha e Quaest indicam a liderança de Lula em todos os estados nordestinos. O professor ressalta, porém, que a quantidade de páginas ou a existência de capítulos específicos não garante a viabilidade ou a qualidade das políticas propostas.

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