Candidatos à Presidência arrecadam mais de 10 milhões de reais em doações de pessoas físicas
Candidatos à Presidência arrecadaram mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas, segundo o TSE. Flávio Bolsonaro lidera a soma com R$ 2,9 milhões, seguido por Ronaldo Caiado com R$ 2,5 milhões e Renan Santos com R$ 2,2 milhões
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Candidatos à Presidência da República arrecadaram mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas, conforme dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até terça-feira (22). O volume de recursos e a origem dos aportes variam significativamente entre as candidaturas, revelando perfis distintos de financiamento.
Flávio Bolsonaro (PL) lidera a arrecadação com pessoas físicas, somando R$ 2,9 milhões. Logo em seguida aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com R$ 2,5 milhões, e Renan Santos (Missão), com R$ 2,2 milhões. O presidente Lula (PT) registrou R$ 1,4 milhão, enquanto Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) arrecadaram R$ 562 mil e R$ 300 mil, respectivamente.
Perfis de financiamento e doações expressivas
A maior contribuição individual registrada para um presidenciável veio do jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, que destinou R$ 2,3 milhões à campanha de Ronaldo Caiado via PIX. O valor representa 34,6% das receitas totais do candidato até o momento. Caiado também recebeu aportes de R$ 25 mil de figuras como Aldo Rebelo, Roberto Brant, Arnaldo Jardim e Cristiane Alckmin Junqueira Schmidt, além de R$ 20 mil de assessores e membros da Polícia Militar de São Paulo, incluindo Hideo Augusto Dendini.
No caso de Flávio Bolsonaro, o financiamento é concentrado em empresários e produtores rurais. O maior aporte foi de R$ 500 mil, feito por Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, maior produtora de biodiesel do país. Outros doadores relevantes incluem:
- Grupo Rodobens: A família Verdi totalizou R$ 300 mil em doações.
- Vicunha Têxtil: Marco Antônio Branquinho Junior e Marcel Yoshimi Imaizumi enviaram R$ 225 mil.
- Setor Público e Agronegócio: O prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter, doou R$ 300 mil, enquanto a produtora Taicia Fofanoff e o produtor Inácio José Webler contribuíram com R$ 122 mil e R$ 100 mil, respectivamente.
- Outros aportes: Rodrigo Pizzinatto (CEO da Ultrapar) e Alexandre Ribeiro Chequer também realizaram doações acima de R$ 100 mil.
Estratégias de arrecadação e serviços
A campanha de Lula apresenta uma composição diversificada, incluindo doações de pessoas ligadas ao governo e a prestação de serviços gratuitos, contabilizados como doações estimáveis em dinheiro. O empresário Erasmo Carlos Battistella também doou R$ 500 mil ao presidente. Entre os contribuintes estão o ministro Luiz Marinho (R$ 24 mil) e acadêmicos da USP e FGV. Na modalidade de serviços, destacam-se o cantor Kleber Lucas (R$ 30 mil para jingles e clipes), Juliana Aporta Gaspar (R$ 17 mil em planejamento) e Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas (R$ 10 mil como palestrante).
Renan Santos adotou a estratégia de financiamento coletivo como motor principal, arrecadando R$ 1,9 milhão via "vaquinhas". Fora desse modelo, recebeu R$ 100 mil dos filhos de José Olympio Pereira e R$ 50 mil de Danilo Julio Gatto.
Já Augusto Cury é o maior financiador de sua própria candidatura, com aporte de R$ 350 mil. O candidato também recebeu R$ 100 mil de Jangiê Diniz e R$ 60 mil de Wilson de Matos Silva.
Romeu Zema teve como principal doador de pessoa física Renato Ribeiro Machado, da U&M Mineração e Construção, com R$ 200 mil. Os irmãos Hélio e Salo Davi Seibel, da HS Investimentos, contribuíram com mais R$ 100 mil.
Regras e limites legais
De acordo com a legislação eleitoral, a arrecadação de recursos pode ocorrer até o dia da eleição, sendo permitida posteriormente apenas para a quitação de dívidas de campanha. As doações em dinheiro são limitadas a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior ao pleito.
Para a cessão de bens ou serviços, o limite é de R$ 40 mil por doador; caso esse valor seja ultrapassado, aplica-se a regra dos 10% da renda bruta. A lei exige que os serviços sejam prestados pelo próprio doador e que os valores declarados estejam alinhados aos preços de mercado.