Candidatos ao Senado por São Paulo debatem propostas para o estado e a governabilidade do país
Candidatos ao Senado por São Paulo debateram nesta sexta-feira (25) propostas sobre segurança pública, meio ambiente, gestão pública, economia e educação. Participaram Geraldo Rufino, Marina Silva, Simone Tebet e Soninha Francine, com ausências de André do Prado e Guilherme Derrite
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Candidatos ao Senado por São Paulo participaram, nesta sexta-feira (25), de um debate focado em propostas para o estado e para a governabilidade do país. O encontro reuniu Geraldo Rufino (Podemos), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Os candidatos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) não compareceram, apesar de terem confirmado presença previamente.
Segurança Pública e Crime Organizado
A infiltração de facções criminosas no poder público foi um dos pontos centrais da discussão. Simone Tebet afirmou que o PCC já teria penetrado na Prefeitura de São Paulo, especificamente no transporte coletivo, e alertou para a possibilidade de a facção estar presente na Segurança Pública estadual, comparando o risco de a capital paulista seguir o modelo de milícias do Rio de Janeiro. A candidata criticou a ausência de Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública do estado.
Para combater o crime organizado, as propostas variaram entre:
- Marina Silva: Defendeu o desmonte de empresas ligadas ao crime e o bloqueio de bens.
- Soninha Francine: Propôs maior integração entre órgãos de controle e forças de segurança, destacando que a corrupção de agentes públicos prejudica o combate às facções.
- Geraldo Rufino: Sugeriu o asfixiamento financeiro das organizações e a presença do Estado nas periferias para evitar o recrutamento de jovens.
Meio Ambiente e Infraestrutura
No eixo ambiental, Marina Silva apontou que 177 municípios de São Paulo são vulneráveis a eventos climáticos extremos, afetando cerca de 1 milhão de pessoas, e defendeu obras de drenagem e moradia digna. Soninha Francine focou na segurança hídrica, sugerindo a recuperação de nascentes para enfrentar a poluição e a ocupação indevida de margens de rios.
Já Geraldo Rufino priorizou o saneamento básico, citando que, em alguns municípios do Alto Tietê, 80% do esgoto não é tratado. Simone Tebet defendeu a revisão ou extinção da concessão da Enel e da Sabesp em São Paulo, argumentando que a privatização deve garantir a qualidade dos serviços.
Relação entre Poderes e Gestão Pública
A governança e a ética no Legislativo e Judiciário foram amplamente debatidas. Simone Tebet propôs uma reforma no Judiciário, incluindo a fixação de mandatos, idade mínima para ministros do STF, controle de decisões monocráticas e paridade de gênero. A candidata também criticou salários acima do teto constitucional e defendeu a redução do número de parlamentares.
Marina Silva defendeu a autonomia entre os poderes e a criação de um estatuto de ética para ministros. Soninha Francine criticou a relação conflituosa entre Executivo e Legislativo, condenando o uso de votos como moeda de troca por cargos e recursos. Geraldo Rufino defendeu a renovação da classe política e a necessidade de reformas internas no Senado para assegurar a democracia.
Economia, Trabalho e Educação
Sobre o mercado de trabalho, Simone Tebet manifestou-se a favor do fim da escala 6x1 e da proteção a trabalhadores de aplicativos, sugerindo a desoneração da folha para pequenas empresas compensarem a mudança. Soninha Francine questionou a precisão dos dados de desemprego e defendeu a flexibilização do emprego formal para torná-lo mais atrativo que a informalidade.
Marina Silva destacou a redução do desemprego no governo federal e defendeu a melhoria da produtividade e políticas de crédito para mulheres e jovens. Geraldo Rufino defendeu a ampliação do trabalho formal para adolescentes e a redução da burocracia para empreendedores.
Na educação, as pautas incluíram:
- Simone Tebet: Ampliação de creches (citando a falta de 200 mil vagas no estado) e a expansão do programa Pé-de-Meia.
- Marina Silva: Combate à precarização docente e revisão da "plataformização" do ensino.
- Soninha Francine: Defesa do ensino a distância (EAD) e a retomada da formação de magistério.
- Geraldo Rufino: Implementação de escolas profissionalizantes dentro das comunidades.
Transparência e Emendas Parlamentares
O uso de recursos públicos via emendas parlamentares foi alvo de críticas. Marina Silva propôs a extinção das emendas impositivas, classificando-as como uma usurpação da competência do Executivo, e citou que cerca de R$ 40 bilhões desse montante carecem de transparência. Simone Tebet defendeu a rastreabilidade total dos recursos. Soninha Francine também criticou o caráter impositivo das verbas, enquanto Geraldo Rufino afirmou que as emendas não devem acabar, mas sim ser rigorosamente controladas.