Candidatos ao Senado por São Paulo não propõem regulação de redes sociais contra a misoginia
Candidatos ao Senado por São Paulo não propuseram a regulação de redes sociais para combater a misoginia e a violência contra a mulher. As sugestões focaram em delegacias 24 horas, uso de tornozeleiras eletrônicas e penas mais rígidas
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A ausência de propostas para a regulação de redes sociais como estratégia de combate à violência contra a mulher foi constatada em candidatos ao Senado por São Paulo. Em consulta realizada com nove dos 15 concorrentes mais bem posicionados na última pesquisa Datafolha, nenhum dos entrevistados, independentemente do espectro político, mencionou a regulação de plataformas digitais para coibir a propagação de misoginia.
As sugestões apresentadas pelos candidatos concentraram-se em medidas reativas, como a implementação de delegacias da mulher 24 horas, o uso expandido de tornozeleiras eletrônicas e o endurecimento de penas.
O impacto dos discursos de ódio e a prevenção
A falta de foco na prevenção é apontada por Bruna Camilo, pesquisadora em gênero e misoginia e autora da obra Machosfera. Para a especialista, a violência é alimentada por algoritmos de Big Techs que lucram com a entrega de conteúdos misóginos, a exemplo de canais de "coach de masculinidade" no YouTube.
A pesquisadora destaca que a disseminação de ideologias que pregam a submissão feminina — como os movimentos Redpill e tradwife — e a viralização de vídeos violentos, como simulações de esfaqueamento de mulheres no TikTok, contribuem para a formação de comportamentos agressivos.
Conexão entre redes sociais e crimes reais
A influência de conteúdos masculinistas reflete-se em casos concretos de violência. Um exemplo é o crime cometido pelo tenente-coronel da PM Geraldo Neto, que matou a esposa, também policial. Em mensagens, o agressor utilizava termos típicos de canais de ódio, como "macho alfa" e a exigência de que a vítima fosse uma "fêmea beta obediente e submissa".
Para Camilo, a superação desse cenário exige a punição efetiva das empresas de tecnologia e a implementação de políticas de letramento sobre consentimento, além de uma regulação rigorosa para interromper o ciclo de ódio que culmina em feminicídios.