China critica interferência em assuntos internos após Estados Unidos classificarem facções brasileiras como terroristas
A China manifestou-se contra a interferência em assuntos internos de outras nações após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão norte-americana, vigente a partir de 5 de junho, integra a Estratégia Nacional de Defesa dos EUA. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, visitará Pequim entre 31 de maio e 2 de junho
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O governo da China manifestou-se contra a interferência em assuntos internos de outras nações ao ser questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi feita nesta sexta-feira (29) por Mao Ching, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, e divulgada pelo diário Global Times. Paralelamente, Pequim confirmou que o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, visitará oficialmente o país entre 31 de maio e 2 de junho, a convite do ministro Wang Yi.
A medida norte-americana designa o PCC e o CV como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, as facções passarão a ser classificadas também como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Em comunicado, os Estados Unidos justificaram a decisão apontando que esses grupos estão entre os mais violentos do Brasil, comandam milhares de integrantes e realizam ataques brutais contra civis, autoridades e policiais. O secretário de Estado, Marco Rubio, destacou que a atuação dessas organizações extrapola as fronteiras brasileiras, atingindo outros países da região e o próprio território dos EUA.
A classificação ocorre em um contexto de ofensiva do governo Trump contra cartéis de drogas latino-americanos, tema tratado como prioridade de segurança nacional pela Casa Branca. O anúncio aconteceu na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com Trump e Marco Rubio.
Essa movimentação integra a “Estratégia Nacional de Defesa dos EUA”, publicada em janeiro pelo Departamento de Guerra, que visa assegurar dominância militar e comercial do Ártico à América do Sul sob o lema “paz por meio da força”. O documento estabelece que os Estados Unidos podem realizar ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer ponto das Américas e que pretendem auxiliar aliados no desmantelamento de cartéis. Como exemplo dessa postura, o Departamento de Guerra citou a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado de liderar o Cartel de los Soles.
A estratégia militar também prevê a contenção da influência chinesa na região e o combate à imigração ilegal. Complementarmente, um documento de Estratégia de Política Externa divulgado em dezembro de 2024 indica que a administração Trump reajustará a presença militar global para focar em “ameaças urgentes” no hemisfério ocidental. O objetivo é a retomada da influência norte-americana por meio da aplicação da Doutrina Monroe, que considera qualquer tentativa de recolonização ou influência externa na região como uma ameaça direta aos interesses dos EUA.
No Brasil, o governo Lula trabalhou nos bastidores para evitar a classificação das facções como terroristas. O Palácio do Planalto avalia que tal designação abre precedentes para intervenções mais severas, incluindo a possibilidade de operações militares estrangeiras em solo brasileiro. O governo brasileiro não teria sido notificado previamente sobre a medida.