Política

Congresso instala comissão para analisar medida que endurece regras do piso mínimo do frete

09 de Junho de 2026 às 06:15

O Congresso Nacional instala nesta terça-feira (9) a comissão mista para analisar a medida provisória que amplia as sanções ao descumprimento do piso mínimo do frete. O deputado Zé Trovão é o relator do texto, que deve ser votado nas duas casas legislativas até 16 de julho de 2026

Congresso instala comissão para analisar medida que endurece regras do piso mínimo do frete
Reprodução/RBS TV

O Congresso Nacional instala, nesta terça-feira (9), a comissão mista responsável por analisar a medida provisória que endurece as regras de cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. O deputado Zé Trovão (PL-SC) assumiu a relatoria do texto e informou que trabalha em um parecer há dois meses, fundamentado em estudos e dados coletados para a apresentação do relatório.

Editada pelo governo em março, a proposta surgiu após a alta nos preços do diesel, motivada pelo agravamento de conflitos no Oriente Médio. O objetivo é intensificar o controle do mercado de transportes para assegurar que os valores praticados não sejam inferiores aos custos operacionais mínimos definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida deve ser votada nos plenários da Câmara e do Senado até 16 de julho de 2026 para manter sua validade.

A norma central da questão é a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, instituída em 2018 após a greve nacional dos caminhoneiros. Esse mecanismo estabelece o valor mínimo para o serviço de transporte e prevê reajustes automáticos, conhecidos como gatilho, sempre que houver oscilação superior a 5% no preço do diesel.

A nova medida provisória amplia as sanções para quem desrespeitar a tabela. Empresas de transporte podem sofrer a suspensão cautelar do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) em casos de descumprimento reiterado ou, em situações graves, o cancelamento definitivo do registro, o que impede a atuação no setor por até dois anos. Já os embarcadores, responsáveis pela contratação, estão sujeitos a multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação em casos de reincidência, além da proibição de realizar novas contratações de frete por período determinado.

No âmbito político, os secretários José Guimarães (PT), de Relações Institucionais, e Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, reuniram-se com representantes dos caminhoneiros nesta segunda-feira (8), no Palácio do Planalto, para tratar da urgência na aprovação do texto. Paralelamente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) questionou a constitucionalidade do tabelamento do frete por meio de uma ação protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) em abril, solicitando a suspensão da medida. O relator Zé Trovão afirmou manter diálogo com o governo e com o setor produtivo sobre a matéria.

Com informações de G1

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