Crise no STF não altera intenções de voto da maioria dos brasileiros para a presidência
Pesquisa Datafolha indica que a crise no STF não alterou as intenções de voto da maioria dos brasileiros para a eleição presidencial. Cerca de 85% dos entrevistados mantiveram a escolha após notícias sobre mensagens de Alexandre de Moraes, e 86% não mudaram de ideia sobre o pedido de investigação contra André Mendonça
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A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada por embates entre ministros e disputas sobre a condução de investigações, não alterou as intenções de voto da maioria dos brasileiros para a próxima eleição presidencial. De acordo com levantamento do Datafolha, divulgado neste sábado (12), 85% dos entrevistados mantiveram sua escolha após tomarem conhecimento da troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Outros 7% não mudaram a decisão, mas manifestaram dúvida, enquanto 4% alteraram o voto e 4% não souberam responder.
Um cenário semelhante foi observado em relação ao pedido de investigação feito por Moraes contra o ministro André Mendonça. Nesse caso, 86% dos participantes afirmaram que a notícia não influenciou a escolha do candidato à presidência. Apenas 2% mudaram de ideia, 7% ficaram em dúvida e 4% não souberam responder.
Percepção sobre a Corte e Metodologia
A pesquisa também avaliou a visão da população sobre o papel da instância máxima do Judiciário. Para 71% dos respondentes, o STF é essencial para a proteção da democracia no Brasil. A discordância foi registrada por 21% dos entrevistados, enquanto 3% não concordam nem discordam e 5% não souberam responder.
O estudo foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouvindo 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-01833/2026.
Origem do conflito e embates institucionais
A tensão no tribunal intensificou-se após a divulgação, em 1º de setembro, de um relatório da Polícia Federal (PF) no âmbito do caso do Banco Master. O documento, tornado público por decisão de André Mendonça, contém mensagens de Daniel Vorcaro enviadas a um contato que a PF atribui a Alexandre de Moraes. O conteúdo menciona pedidos de proteção e orientações diante de investigações, com parte das interações ocorrendo antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Como as mensagens foram extraídas do aparelho do ex-banqueiro, o relatório não apresenta as respostas de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a nulidade do documento, que será analisado pelo plenário.
O conflito escalou em 3 de setembro, quando Moraes solicitou a investigação de Mendonça no inquérito das fake news, alegando indícios de improbidade administrativa, crime de responsabilidade, abuso de autoridade e favorecimento político nos casos do INSS e do Banco Master. O pedido baseou-se em relatórios de inteligência da PF que, no entanto, possuíam ressalvas sobre a ausência de valor probatório. Mendonça rebateu a acusação, afirmando ter sido monitorado ilegalmente pela PF. Posteriormente, o ministro Edson Fachin retirou o pedido do inquérito e removeu a relatoria de Moraes.
Disputa no comando da Polícia Federal
A crise atingiu a cúpula da PF no dia 8, quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, alegando monitoramento ilegal. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino ordenou a reintegração de ambos. As duas decisões conflitantes foram suspensas por Edson Fachin, o que manteve Rodrigues no cargo.
Em resposta enviada a Fachin na sexta-feira (11), Andrei Rodrigues negou a existência de monitoramento contra Mendonça, sustentando que os relatórios foram produzidos regularmente e entregues a Moraes por ordem judicial.
Próximos passos no STF
O presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15). A pauta inclui a discussão sobre o relatório de mensagens de Vorcaro e a definição do encaminhamento do caso. Para garantir que todos os ministros tenham acesso ao acervo antes da sessão, Fachin determinou a abertura integral dos documentos do caso Master que estavam sob a relatoria de Mendonça.