Política

Davi Alcolumbre intensifica articulações para garantir a reeleição à presidência do Senado em 2027

18 de Outubro de 2026 às 07:20 4 min de leitura

Davi Alcolumbre (União-AP) articula sua reeleição à presidência do Senado para 2027, enfrentando a oposição do PL, que pretende lançar Rogério Marinho. A estratégia do senador inclui fragmentar os votos da legenda adversária e negociar a distribuição de gabinetes e cargos. Alcolumbre conta com o apoio de lideranças do MDB e PSD

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Davi Alcolumbre (União-AP) intensificou a articulação para garantir a reeleição à presidência do Senado Federal em 2027. O movimento ocorre independentemente de quem ocupe a Presidência da República, seja em uma continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou em uma gestão liderada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A movimentação do atual presidente da Casa foi acelerada após declarações de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), que afirmou que a legenda não apoiará Alcolumbre e lançará Rogério Marinho (PL-RN) para o cargo. O PL terá a maior bancada da Casa em 2026, com 29 cadeiras, após eleger 19 novos senadores.

Conflitos internos e estratégia de fragmentação

A tensão entre Alcolumbre e Marinho tornou-se pública no plenário do Senado na última quinta-feira (15). Durante a sessão, os parlamentares divergiram sobre a retirada da PEC da Segurança da pauta de análise. Marinho questionou se a decisão teria sido solicitada pelo governo federal, ao que Alcolumbre rebateu afirmando que a medida foi uma decisão exclusiva da Presidência do Senado.

Para neutralizar a força do PL, a estratégia de Alcolumbre foca em fragmentar os votos da legenda. O senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado e aliado de Alcolumbre, é peça central nesse plano. A expectativa é que Gomes seja nomeado relator do Orçamento de 2027, cargo que, por acordo político prévio, pertenceria ao MDB. A indicação serviria como sinalização para atrair outros senadores do PL.

Alcolumbre recorda a interlocutores que o PL já sofreu derrotas em disputas pela Mesa Diretora. Em 2023, Rogério Marinho perdeu a disputa para Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32, o que resultou na ausência do partido no comando de comissões e na Mesa Diretora por dois anos. Em 2025, o PL optou por apoiar Alcolumbre para evitar novo isolamento.

Alianças institucionais e a questão das emendas

Lideranças de outras siglas, temendo a hegemonia do PL, articulam uma frente de apoio a Alcolumbre. Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA) já formalizaram o apoio à reeleição. A preocupação central de outros partidos é que a conjunção de um governo Flávio Bolsonaro com a presidência do Senado nas mãos do PL possa comprometer a independência do Legislativo e reduzir o controle dos parlamentares sobre as emendas parlamentares.

Alcolumbre é visto nos bastidores como um operador eficiente dessas verbas, frequentemente tensionando a relação com o Executivo para priorizar interesses do Congresso. Recentemente, ele demonstrou abertura ao governo Lula ao favorecer pautas como a PEC que extingue a escala 6x1.

Negociações internas e acomodações

O presidente do Senado iniciou um processo de recepção aos novos parlamentares, tratando diariamente da distribuição de gabinetes e apartamentos funcionais. A disputa concentra-se em espaços estratégicos, como os do Anexo II, que possuem acesso reservado ao estacionamento, e a ala dos plenários, onde se localiza o gabinete de Jorge Kajuru (PSB-GO), valorizado por sua entrada lateral restrita.

A estratégia de Alcolumbre inclui a concessão de espaços privilegiados até para adversários, como a senadora eleita Rayssa Furlan (PSD-AP). Além da infraestrutura física, a negociação envolve a oferta de cargos vinculados à Presidência do Senado para indicados de aliados.

Articulações no Judiciário e TCU

No campo institucional, Alcolumbre mantém a defesa da nomeação de Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), para o Supremo Tribunal Federal (STF). A resistência de Lula em efetivar essa indicação levou Alcolumbre a articular a rejeição de Jorge Messias, Advogado-Geral da União (AGU), no Senado.

A indicação de Pacheco ao STF teria múltiplos objetivos:

  • Para o governo Lula: Reduziria para três as vagas remanescentes na Suprema Corte para o sucessor.
  • Para um eventual governo Flávio Bolsonaro: Garantiria a Alcolumbre um aliado no STF em um cenário de pressão pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, de quem Alcolumbre é próximo.
  • Para a política interna: A ida de Pacheco ao STF abriria uma vaga no TCU, recurso que Alcolumbre poderia utilizar para negociar apoios à sua permanência no comando do Senado.

Parlamentares oposicionistas sugerem que, caso Alcolumbre não consiga a reeleição, a vaga no TCU possa ser destinada a ele próprio.

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