Defesa de Carlos Brandão pede ao STF a suspensão de inquérito conduzido por Flávio Dino
A defesa do governador Carlos Brandão pediu ao STF a suspensão de inquérito conduzido pelo ministro Flávio Dino sobre nomeações no TCE-MA. O pedido argumenta que o processo deve tramitar no STJ
A defesa do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão de um inquérito conduzido pelo ministro Flávio Dino. A investigação, aberta pela Polícia Federal em agosto de 2025 por determinação de Dino, apura possíveis irregularidades em nomeações para o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), especificamente a indicação de Flávio Costa.
A argumentação jurídica de Brandão sustenta que, por envolver a figura de um governador, o processo deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Diante disso, a defesa pede que o procedimento seja interrompido ou remetido ao órgão competente.
O pedido ocorre em um momento de alta tensão institucional, sucedendo a decisão de Flávio Dino de afastar, por 180 dias, Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador, em outra linha de investigação.
Ruptura de aliança política
A disputa atual é o ápice de um desgaste entre dois aliados de longa data. Carlos Brandão atuou na viabilização da candidatura de Flávio Dino como deputado federal em 2006 e foi seu vice-governador nas gestões de 2014 e 2018. Brandão assumiu o governo em abril de 2022, quando Dino deixou o cargo para concorrer ao Senado, sendo posteriormente eleito governador no primeiro turno naquele mesmo ano.
Os primeiros sinais de crise surgiram na composição do governo e na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) em 2023. Na ocasião, Iracema Vale, apoiada por Brandão, venceu a eleição para a presidência da Casa, enquanto Othelino Neto, aliado de Dino, desistiu da permanência no comando do Legislativo.
Conflitos institucionais e eleitorais
A tensão escalou após a posse de Flávio Dino no STF, em fevereiro de 2024. O ministro tornou-se relator de ações sobre a escolha de conselheiros do TCE-MA e, em março daquele ano, suspendeu um processo de indicação que favorecia Flávio Costa, enquanto o grupo ligado ao ministro indicava o deputado Carlos Lula (PSB).
O distanciamento refletiu-se nas eleições municipais de 2024, com embates em Colinas, reduto de Brandão, onde o candidato ligado ao governador venceu a disputa contra o irmão de Márcio Jerry, aliado de Dino. Simultaneamente, nomes ligados ao ex-governador perderam espaço na administração estadual, como Felipe Camarão, que deixou a Secretaria de Educação, e Joslene Rodrigues, que saiu da Secretaria das Cidades.
Disputa sucessória e crise aguda
O centro do conflito deslocou-se para a sucessão estadual. Enquanto integrantes do PT e aliados de Dino defendiam que Brandão deveria deixar o governo antecipadamente para disputar o Senado — permitindo que Felipe Camarão assumisse o Palácio dos Leões —, o governador negou tal compromisso e passou a apoiar a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB).
Em março de 2025, Brandão admitiu publicamente o afastamento de Dino. A crise atingiu o ponto crítico em outubro de 2025, após a divulgação de gravações envolvendo Rubens Júnior, Márcio Jerry e Diego Galdino. Na ocasião, o governador acusou o grupo adversário de "chantagem" e pressão relacionada a vagas no TCE-MA. Em resposta, os aliados de Dino alegaram ter sido vítimas de gravações clandestinas.
Em fevereiro de 2026, Carlos Brandão confirmou que cumprirá o mandato integralmente, inviabilizando a ascensão antecipada de Felipe Camarão ao governo e consolidando a divisão política no estado.