Política

Eduardo Bolsonaro apoia a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em caso de derrota eleitoral

23 de Outubro de 2026 às 19:35 3 min de leitura

Em entrevista nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro defendeu a saída do país de Flávio Bolsonaro caso este perca a eleição presidencial para Lula neste domingo. O ex-deputado também questionou a segurança das urnas eletrônicas e criticou o STF

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Eduardo Bolsonaro apoia a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em caso de derrota eleitoral
Reprodução/YouTube

Em entrevista ao programa "Louder with Crowder", nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (23), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro manifestou apoio à saída do Brasil de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, caso este seja derrotado na disputa presidencial. A declaração ocorreu durante a participação do ex-parlamentar no estúdio do comentarista político Steven Crowder.

Questionamentos sobre o sistema eleitoral

Durante a transmissão, Eduardo Bolsonaro contestou a confiabilidade das urnas eletrônicas, utilizando uma citação atribuída a Josef Stálin para argumentar que a contagem dos votos é o ponto crítico do processo. O ex-deputado afirmou que, embora não possa provar a existência de fraudes, as autoridades também não conseguiriam provar a ausência delas.

O ex-parlamentar direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), mencionando que a Corte declarou inconstitucionais as três tentativas do Congresso Nacional de implementar o voto impresso.

Em contrapartida, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém o posicionamento de que não houve comprovação de fraudes no sistema utilizado desde 1996. O órgão destaca que a transparência é assegurada pela impressão de boletins de urna ao final da votação, cujas cópias são distribuídas a fiscais partidários e publicadas na internet para conferência pública. Sobre a legislação, o Congresso aprovou previsões de voto impresso em 2002, 2009 e 2015; a primeira foi revogada pelo próprio Legislativo em 2003, enquanto as demais foram derrubadas pelo STF em 2013 e 2020, sob a justificativa de risco ao sigilo do voto.

Contexto da disputa presidencial

As declarações sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país surgiram após a pergunta de um espectador sobre planos para auxiliar o ex-presidente Jair Bolsonaro em caso de derrota do filho. Eduardo respondeu inicialmente em tom jocoso, mencionando o envio de "fuzileiros navais".

O ex-deputado justificou a preocupação com a situação do irmão ao citar um debate em que Lula teria afirmado que Flávio perderia a eleição, deixaria de ser senador e perderia a imunidade, o que possibilitaria investigações contra ele. Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno neste domingo (25), após o primeiro turno, no qual Flávio obteve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.

Situação jurídica de Eduardo Bolsonaro

Residente nos Estados Unidos desde 2025, Eduardo Bolsonaro perdeu seu mandato na Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano devido ao excesso de faltas.

No âmbito judicial, a Primeira Turma do STF condenou o ex-deputado, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. A condenação, tornada definitiva em 3 de outubro, baseou-se na conclusão de que Eduardo atuou junto ao governo americano para promover a suspensão de vistos de ministros e a aplicação de tarifas sobre exportações brasileiras, visando interferir no julgamento de Jair Bolsonaro em um processo sobre trama golpista.

Em decisão divulgada em 8 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a expedição do mandado de prisão e o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Eduardo.

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